quinta-feira, 30 de abril de 2009

Intervenções_Identidade Social na Adolescência

Re: Sintese dos recursos de aprendizagem disponibilizados
por Rui Fernandes - Sábado, 4 Abril 2009, 08:06
Concordo com a Paula em relação às sínteses apresentadas, pelo que me permito fazer um comentário pessoal acerca da questão desta actividade, com base na documentação lida, mas não como forma de síntese da problemática. A busca de uma identidade na adolescência é, reconhecidamente, um processo atribulado, mais ou menos, rebelde, resultado de todo um percurso que envolve períodos de crise ou de exploração e os momentos em que se devem começar a assumir compromissos mais sérios, seja em termos profissionais, pessoais ou familiares. As etapas percorridas na procura da identidade são vividas de formas diferentes, consoante as interacções e os envolvimentos sociais, familiares, económicos que rodeiam os jovens, mas também o seu desenvolvimento intrínseco em termos físicos e mentais.É aceite, nos dias que correm, que este processo de aquisição de uma identidade não se conclui com o final da adolescência mas com a definição de uma carreira profissional e com uma estabilidade económica assegurada. Isto pode revelar-se preocupante e gerar problemas sociais graves já que, hoje em dia, são estimulados os desempenhos por objectivos, não há empregos fixos, pretende-se que ninguém tenha emprego e estabilidade económica assegurada para toda a vida. Ora, isto não poderá levar a dificuldades acrescidas na busca de uma identidade? Não levará a que os indivíduos só consigam alcançar essa identidade muito mais tarde na vida? Teremos "velhos" adolescentes? Ou a hostilização social e a rebeldia vão extrapolar-se e atingir para além de pais e questões menores (como as questões quotidianas da roupa, do frio, dos estudos...), toda a sociedade e questões mais graves de conflitualidade grave e criminalidade? Este é um aspecto preocupante, no meu entender, que deve merecer a nossa atenção e dedicação, pois numa fase de afirmação pessoal como esta, todos os factores de estabilidade, que cada vez existem menos, são muito importantes. Cada vez é mais difícil responder à questão "quem sou eu?". Será que pode ser isto que causa desinteresse nos nossos jovens, por exemplo, na escola? A perspectiva de não contar com um futuro certo, desinteressando-se das actividades escolares, considerando que "aquilo" não serve para nada?...Também a comunicação é um aspecto interessante de analisar nesta procura da identidade social. Os adolescentes, nomeadamente, na internet utilizam uma linguagem muito simplificada e com características tecnológicas distintivas que os colocam à margem de outros comunicadores. Não exige grandes conhecimentos. O grande problema é que. mais uma vez pela experiência profissional, este tipo de linguagem levanta dificuldades no entendimento da escrita como ela deve ser feita, conduzindo os jovens a erros permanentes e a escrita incorrecta quando estão fora do âmbito da internet. Constroem as suas páginas e os seus blogues, onde a comunicação parece ser mais fácil. Nos estudos que tivemos oportunidade de ler, verifica-se que a evolução pode levar a algumas diferenças na comunicação mas que parecem diluir-se noutros estudos. Julgo que, hoje em dia, podemos falar em muitas semelhanças. Naturalmente, há diferenças, os homens tendem a utilizar os emoticons mais com mulheres do que com homens, as mulheres são mais delicadas na escrita, mas o grande resultado é que em ambos os casos, a internet é utilizada porque todos acham que a possibilidade de anonimato lhes confere um poder de transmitir a informação que desejam dar a conhecer, sem terem de rebelar a identidade. Isso permite que as pessoas divulguem aspectos da sua vida pessoal que, de outra forma, não conseguiriam dar a conhecer. Mas as diferenças são cada vez menos significativas.É verdade que os indivíduos se revelam na internet como em nenhum outro local seriam capazes de fazer, como o é que a construção de identidade se faz muito pela comunicação virtual. Também todo o meio tem a sua influência, bem como os valores, a educação e todas as interacções de amizade. Mas tenho como ideia base que a grande fatia tem a ver com factores genéticos de personalidade, daquilo que cada um parece trazer "escrito" no seu código. Depois, pode "perder-se", "encontrar-se", optar por este ou aquele caminho, mas há sempre uma base daquilo que cada um parece ter definido à priori como caminho a percorrer. Poderá esta opinião ser questionada, naturalmente, mas não consigo deixar de pensar em duas pessoas que conheço bem, do mesmo sexo, idades aproximadas (2 anos de diferença) educadas com os mesmos valores, o mesmo meio envolvente, os mesmos contactos de amizade, a mesma família, os mesmos meios e formas de comunicação e linguagem, as mesmas regras sociais, o mesmo estatuto económico e que vão manifestando identidades muito diferentes... RF
Fórum A2 -> Síntese dos recursos de aprendizagem disponibilizados -> Re: Sintese dos recursos de aprendizagem disponibilizados por Pedro Coelho do Amaral - Domingo, 12 Abril 2009, 12:46
Para reforçar a ideia que os adolescentes projectam a sua identidade através dos novos meios digitais, diferentes estudos tentam compreender e analisar quem o faz, como o fazem e porquê o fazem. Dos diferentes estudos a que tive acesso são retiradas algumas conclusões bastante interessantes e que demonstram que os meios digitais (ainda numa fase embrionária face às possibilidades tecnológicas que se adivinham), assumem-se como ferramentas de comunicação e socialização complementares aos meios tradicionais e perspectivam uma revolução paradigmática no desenvolvimento dos processos de construção da identidade. Eis alguns exemplos:
Segundo Amanda Lenhart, investigadora principal do estudo "Teen Content Creators and Consumers "Para os adolescentes americanos, os blogs funcionam como uma forma de auto-expressão, socialização, um meio para construir relações e uma forma de marcar a sua presença on-line.” Na sua definição de criadores de conteúdos, a autora do estudo descreve os adolescentes como construtores activos de páginas web ou blogs, que partilham os seus conteúdos originais criativos ou misturam conteúdos que encontram on-line projectando-os em novas formas de criação que funcionam como uma palete para a afirmação das suas personalidade.
Mary Madden co-autora do estudo refere que a mistura de conteúdos criativos é uma das formas através das quais os adolescentes colocam um carimbo pessoal nos seus trabalhos, numa fase das suas vidas em que estão essencialmente focados em estabelecer a sua identidade.
Os autores referem ainda que os adolescentes que possuem ou acedem a blogs, não comunicam com estranhos, desmistificando uma das ideias feitas sobre a sua imaturidade e os perigos da socialização on-line: " Para os jovens, o objectivo (dos blogs) é reforçar e manter relações de amizade e não ler sobre a opinião de estranhos.”
http://www.pewinternet.org/~/media/Files/Reports/2005/PIP_Teens_Content_Creation.pdf.pdf
http://www.pewinternet.org/Media-Mentions/2005/Teens-Dont-Blog-With-Strangers.aspx
Outro estudo observa o exponencial aumento de adolescentes que criam ou utilizam blogs – de 19 % em 2004 para 28% em 2006 e com clara tendência para aumentar. Esse estudo indica que são as raparigas, a força empreendedora deste acréscimo significativo (dois terços dos adolescentes que utilizam blogues são raparigas) e que o fazem com o objectivo de reflectir sobre a sua vida, em particular sobre a escola, amizades e a sua vida para lá dos muros da escola. Os seus blogs são parte diário, parte procura do seu eu através da interacção social com os seus amigos, parte iniciadores de conversação e de uma forma geral mais propensos (em comparação com os blogs criados por rapazes) para revelar as suas emoções do que descrever acontecimentos. Dos diferentes depoimentos referenciados destaco estes:
"It's just a little easier than talking about your feelings to write about it," says Taranto, 17. "Then it's easier to talk about it."
"i feel like there is this gaping hole that i just cant fix. i dont even know why the hole is there. i have a great family and great friends. the only thing that is missing is someone who loves me, but i dont even think that is causing this hole. it just hurts so bad sometimes." (Taranto, Jan. 30)
http://www.boston.com/lifestyle/articles/2008/04/05/dear_blog/
Para finalizar um estudo interessante sobre um paradoxo que contrapõem o facto de os adolescentes passarem um considerável tempo da sua vida a escrever (mais que os seus progenitores), mas não consideram o que escrevem em ambiente digital como verdadeira escrita, ferramenta fundamental para o seu futuro.
Como se afirma no estudo “ Os adolescentes sabem que escrever é importante. A maioria sabe que a escrita informal que actualmente praticam não será sustentável quando se tornarem adultos. No entanto, retiram grande prazer em desenvolver um estilo pessoal e informal de escrita como uma forma de expressar e distinguir o que realmente são.”
Outra questão importante é o prazer em descobrir e dominar as ferramentas tecnológicas da escrita e os mecanismos de comunicação on-line, distinguindo-se dos outros.
“There are all sorts of things in texting that you can put [in]. Like you can put an exclamation mark in the beginning and the end, or a question mark, or a smiley face, or all caps to show you are yelling. – 11/12th Grade Girl, Pacific Northwest City.”
http://www.pewinternet.org/Reports/2008/Writing-Technology-and-Teens.aspx

Pedro Coelho do Amaral
Fundamentação da escolha efectuada

A escolha da 1ª intervenção do meu colega Rui Fernandes resulta do facto de este expor uma visão pessoal fundamentada do tema em discussão. Não se limitando ao assunto proposto levanta um conjunto de dúvidas e questões pertinentes que, no momento que foram proferidas, funcionaram como um elemento de elevação e motivação da discussão no Fórum.
A escolha da segunda intervenção da minha autoria espelha, em conjunto com outras por mim feitas ao longo deste percurso, um aturado trabalho de pesquisa de fontes de informação adicionais que penso terem contribuido, pela pertinência das temáticas, como uma mais-valia na discussão no Fórum. Considerando que a recolha, análise e reflexão de outros recursos educativos, para além dos propostos, é um dos objectivos e mais-valias deste tipo de ensino, considero que esta intervenção se revelou importante e demonstra uma procura de conhecimento adicional sobre a temática abordada.
Pedro Coelho do Amaral

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Comentário/Reflexão_Identidade Social na Adolescência

Discussão do Processo de Construção da Identidade na Adolescência

Objectivo: Identificar as características e discutir o processo de construção de identidade na adolescência.

Competências: Analisar o processo de construção da identidade durante o período da adolescência


Comentário

Após a primeira actividade em que o trabalho desenvolvido permitiu identificar, discutir e definir algumas das principais características atribuíveis ao estudante digital, através de uma caracterização exaustiva do seu perfil, esta segunda proposta resultou num aprofundar do nosso conhecimento sobre o objecto de estudo, no sentido de identificar as suas características através da análise do processo de construção da identidade durante o período da adolescência e tendo em conta abordagens teóricas e estudos exploratórios sobre os novos espaços de socialização proporcionados pelos meios digitais.
Os recursos de aprendizagem disponibilizados e a posterior discussão que se seguiu permitiram compreender e demonstrar a importância desses novos meios digitais, no caso particular os blogs e páginas pessoais, nos processos de construção da identidade e de socialização naqueles que, no trabalho anterior, aprendemos a designar por Nativos Digitais, em contraponto com os processos tradicionais de construção da personalidade e socialização do mundo off-line.
Compreendemos que, apesar da identidade ser um processo de desenvolvimento pessoal que se inicia no nascimento e termina na velhice, como refere Erikson (1968) nos oito estádios do Ciclo da Vida, é na etapa de desenvolvimento da adolescência que se processa a aquisição/construção de um sentido estável de identidade e direcção baseado em experiências pessoais que envolvem sucesso e satisfação combinadas com aceitação social e reconhecimento. É uma etapa que se centra num conflito entre Identidade vs confusão de Identidade e um passo crucial na transformação do adolescente em jovem adulto psicossocialmente maduro e produtivo.
Partindo da análise e constatação que os pré-adolescentes e adolescentes utilizam cada vez mais ambientes virtuais de interacção e socialização, tais como weblogs, páginas pessoais e outras redes de comunicação, tentamos debater como e de que forma esses ambientes, de carácter flexível e potencialmente anónimo, são utilizados na construção, expressão e exploração das suas identidades em formação e na edificação de comunidades em rede que essas ferramentas potenciam.
Do ponto de vista pessoal, devo referir que gostei bastante do tema abordado. Trabalhando diariamente com adolescentes, posso afirmar que a leitura e análise dos textos sobre o processo de construção da identidade durante o período da adolescência e posterior discussão permitiu-me compreender melhor um conjunto de questões relacionadas com os seus comportamentos e atitudes e a importância dos novos meios digitais no processo de construção da identidade social. Provavelmente todos nós nos esquecemos em grande parte dos acontecimentos que marcaram esta etapa da nossa vida. Este trabalho despertou-me para uma fase da vida já esquecida, mas no qual revi inúmeros aspectos.
Ao nível do trabalho desenvolvido destaco o meu esforço na pesquisa, análise e apresentação de outros recursos educativos que penso terem contribuído para uma melhoria na discussão em fórum.

Pedro Coelho do Amaral

Reflexão

Foi bastante interessante verificar algo sobre o qual nunca havia reflectido, ou seja, a influência da internet e das aplicações/ferramentas digitais associadas e a importância do papel que desempenham na construção da identidade durante a fase da adolescência. Um dos aspectos centrais que retirei da leitura dos recursos e da posterior discussão que se segui foi o facto dos jovens vivenciarem sentimentos de competência quando constroem blogs ou páginas pessoais. Dito de outra forma, a necessidade que os pré-adolescentes e adolescente têm em sentir que conseguiram alcançar ou dominar determinadas aptidões de forma a avançarem no processo de descoberta de quem realmente são, ou seja a formação da identidade. Reflectir sobre como esta nova forma de expressão, através do recurso a meios digitais, permite o domínio de aptidões tecnológicas e sociais contribuindo de forma marcante para o desenvolvimento da sua identidade, funcionando como um fórum de expressão, socialização e em muitos casos de intimidade.
Enquanto adolescente que fui, lembro-me perfeitamente da importância de demonstrar perante os outros as minhas capacidades em domínios como o desporto, a música, o desempenho escolar, ou a capacidade de ter amigos e, já agora, amigas. Apesar de pertencer à geração do Spectrum não me recordo que o domínio da tecnologia assumisse um papel tão importante para a construção da minha identidade. No entanto hoje a realidade é bem diferente. Se os jovens vivem e passam grande parte das suas vidas para lá do ecrãn do computador torna-se natural que esta nova arena assuma uma importância crescente nas suas vidas. Consequentemente, torna-se também importante que o sucesso que obtêm no domínio das tecnologias associadas se assuma um aspecto de afirmação perante os outros.
Outro aspecto interessante que esta actividade permitiu foi percepcionar que perante estes novos meios digitais os jovens têm a possibilidade, de uma forma livre e privada e dominando o seu próprio espaço e tempo, de se expressar publicamente e anonimamente perante uma grande audiência. Neste processo de interacção os jovens preferem expor aspectos interiores das suas identidades, omitindo ou filtrando factores externos como etnicidade, saúde, aparência e outras referências que possam contribuir para quebrar o carácter anónimo das interacções.
As razões porque criam páginas pessoais são diversas e apontam para o facto do carácter anónimo dessas interacções permitir, pela ausência de medo ou vergonha implícita, processos de expansão do seu mundo social ou aprofundar relações existentes e criar um espaço de auto-apresentação das suas emergentes identidades face a outros. Os estudos que analisamos também reflectiram sobre variantes relacionadas com a idade ou género dos jovens e a forma como esses factores influem no desenvolvimento dos processos de construção e interacção.
Foi ainda possível através desta actividade compreender alguns aspectos interessantes potenciados pelos novos media que permitem uma exploração diferente dos processos identitários e novas formas de expressão. Compreender que os blogs ou páginas pessoais funcionam como uma espécie de diário, nos quais apesar dos adolescentes terem a possibilidade de se apresentar de uma forma ficcional, sob o manto de múltiplas e diversas faces perante os outros, preferiram manifestar-se tal como são na realidade, representado os blogs uma extensão do seu mundo real. Nesse sentido, os blogs funcionam como autênticos repositórios de informação pessoal, onde os adolescentes partilham as suas relações afectivas, traços de personalidade, opiniões, dados pessoais, etc., estimulando o acesso e troca de inúmeras formas de contacto entre diferentes utilizadores.
A linguagem utilizada com o uso intensivo de ecomotions e smileys que permitem exprimir sentimentos e emoções, adaptando uma aplicação mais gráfica ou textual consoante a complexidade do que pretendem transmitir. Compreender que esses recursos são utilizados para preencher algum do vazio da comunicação on-line, reflexo da inexistência do contacto facial ou a utilização de movimentos corporais que em situação de interacção analógica são utilizados para expressar pensamentos e emoções, permitindo acentuar ou enfatizar determinado tom ou significado e estabelecer o humor ou determinada impressão que o autor pretende transmitir.
Descobrir que os blogs funcionam como espaço de identidade e identificação sexual/afectiva e reflectem uma maturação dessa mesma identidade similar à que os adolescentes vivem na sua vida real. Funcionam também como uma excelente ferramenta para determinados grupos exporem sentimentos ou identidades sexuais que no exterior são alvo de reprovação.
A descoberta através da análise do tipo de linguagem e interacção social protagonizadas por rapazes ou raparigas reflecte, pelo menos na blogesfera, uma alteração dos padrões anteriormente considerados, prevendo uma progressiva alteração dos comportamentos socialmente preestabelecidos. Neste caso uma significativa alteração nos padrões de linguagem por parte de adolescentes femininas que, pela flexibilidade e liberdade dos meios digitais, demonstra a inexistência de uma divisão clara na forma de expressão e socialização face aos adolescentes rapazes.
Todos estes conhecimentos que retirei desta actividade fora elementos importantes para compreender a importância dos media digitais na vida dos adolescentes.
Outra das questões bastante debatida foi a segurança. Sendo esta turma constituída na sua grande maioria por professores e num grande nº de casos por pais, era natural que esse assunto fosse abordado. É naturalmente um assunto polémico e sujeito a discussão. Como foi referindo ao longo das discussões neste fórum, a perigosidade dos novos meios de socialização e construção de personalidade estão intimamente ligados com a capacidade da sociedade conseguir passar a mensagem aos mais jovens no sentido de os alertar para esses perigos e os ajudar a encontrar as suas enormes potencialidades.

Pedro Coelho do Amaral

Bibliografia

Recursos de Aprendizagem:
Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.
Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.
Recurso Complementar
Schoen-Ferreira, T.; Aznar-Faria, M.; Silvares, E. (2003). A construção da identidade em adolescentes: Um estudo exploratório. In Estudos de Psicologia, 8 (1), 107-115.

http://www.pewinternet.org/~/media/Files/Reports/2005/PIP_Teens_Content_Creation.pdf.pdf
http://www.pewinternet.org/Media-Mentions/2005/Teens-Dont-Blog-With-Strangers.aspx
http://www.boston.com/lifestyle/articles/2008/04/05/dear_blog/
http://www.pewinternet.org/Reports/2008/Writing-Technology-and-Teens.aspx

segunda-feira, 30 de março de 2009

Cultura Digital_Terminologia

Construção de Glossário - Comentário

Objectivo: Definir conceitos e termos utilizados na cultura digital.

Competências: Adquirir competência no uso da terminologia e dos conceitos associados à cultura dos nativos digitais.

Comentário

Durante o decorrer da 1ª actividade desenvolvida nesta unidade curricular foi-nos propostos, enquanto turma, construir um glossário que abarcasse os principais termos e conceitos utilizados na cultura digital.
Sabemos da nossa experiência profissional que o domínio da terminologia e dos conceitos associados à profissão que exercemos são condição sine qua non para um desempenho de qualidade. Sabemos também que essa questão torna-se ainda mais pertinente e complexa quando a área em questão são as novas tecnologias da informação e comunicação. A avassaladora evolução, quer na tecnologia quer nos conteúdos ou ferramentas associadas, torna rapidamente obsoletos uma larga maioria dos termos e conceitos que consideramos estruturantes e fundamentais. No decorrer da minha formação académica superior na área do audiovisual contactei com uma terminologia que à luz do actual conhecimento se encontra, na grande maioria dos casos completamente desfasada da realidade. Este rápido desfasamento face à evolução tecnológica demonstra a necessidade de uma constante actualização, o que devia ser um dever de todos aqueles que trabalham em áreas tecnológicas.
Nesse sentido a proposta de trabalho apresentada pretendia por um lado que todos os colegas adquirissem competências no uso correcto da terminologia da cultura digital e por outro que partilhassem uma base terminológica e conceptual comum sobre diferentes aplicações e ferramentas, desde as aplicações mais antigas associadas à Web 1.0, passando pelos novos percursos tecnológicas da tão propalada Web 2.0 baseada na partilha, até aos novos mundos virtuais da Web 3.0, como é o caso do Second Life.
Devo referir que parti para esta tarefa com a ideia pré-concebida que seria bastante simples e linear a execução desta proposta. Ainda para mais quando tive a oportunidade de escolher termos e conceitos bastante conhecidos como Search Engine, Second Life e Skype. Apesar de reconhecer, de uma forma mais ou menos aprofundada, as aplicações em questão devo confessar que aprendi imenso com esta proposta de trabalho. Não só pelo termos que identifiquei mas também pela leitura dos restantes termos apresentados pelos meus colegas.
No entanto sofri uma vez mais na pele, e à boa maneira de uma aprendizagem Conectivista (Siemens, 2004), daquilo de que padecem os nativos e emigrantes digitais quando levam a cabo uma pesquisa e recolha de informação em ambiente Web, ou seja, a questão da sobreinformação. Como refere Cardoso "a quantidade global de informação disponível sobre quase tudo é tão grande que a sobreinformação em muitos casos diminui (ou anula) os potenciais benefícios, pois começa a ser difícil encontrar no meio de tanta coisa a «informação» que nos seria mais útil, aquela que responde melhor à nossa questão”. Como nos diz Russel Ackoff (Lussato, 1991) na sua famosa lei, à medida que aumenta a quantidade de informação, sem filtragem, a proporção de informação "útil" decresce e a partir de um determinado limiar (o de saturação) o aumento de informação tem um contributo negativo, i.e., começa a "desinformar” (Cardoso:2007, 12) ”
Nesse sentido, mais uma vez houve a necessidade de organizar o excesso de informação existente, separarando o trigo do joio no que concerne à qualidade e pertinência da informação adquirida e posteriormente encontrar as referências que considerei relevantes ou absolutamente fiáveis. Ao desenvolver os meus termos tentei resumir as principais ideias sem contudo elaborar uma definição demasiado extensa que prejudicasse uma consulta rápida e objectiva dos termos e conceitos.
Um dos conceitos trabalhados – Second Life/Mundos Virtuais – acabou por ser bastante útil para mim, ainda no decorrer deste mestrado, uma vez que me permitiu aproximar de uma realidade que se tem assumido como área de investigação, ou seja, o Second Life e os MUVS como como espaços privilegiados de aprendizagem e ensino.
O próprio conceito de Search Engine permitiu-me adquirir conhecimentos mais sólidos sobre a forma como funcionam os motores de busca. No decorrer da minha pesquisa retornei a um excelente livro que já tinha lido sobre o Google e do qual retirei um conjunto de afirmações que não considerei pertinentes para os objectivos do glossário mas que deixo neste espaço para reflexão:

“A Biblioteca de Alexandria assinala a primeira vez que a Humanidade tentou reunir a totalidade do ser humano num só lugar e num só momento. A última tentativa? O Google.”
Brewster Kahle, empresário e fundador da Internet Archives (in John Battele: 2003,13)

“A busca é também um catalisador de promissoras tentativas de abrir caminho num dos mais intransponíveis problemas da humanidade: a criação da inteligência artificial. Pela sua natureza, a busca constitui um dos problemas mais tentadores e importantes da ciência informática e muitos peritos garantem que a pesquisa continuada nestes mistérios há-de oferecer a pedra filosofal comercial e académica para criar computadores capazes de agir, em todos os sentidos, como um ser humano.”
John Battele (2003,13)


Search Engine
Search Engine ou motor de busca é uma aplicação informática cujo objectivo é encontrar respostas a consultas (queries) em determinada compilação de informação que pode ser um catálogo de livraria (library catalog) ou uma base de dados (database). Apesar de search engine ser uma classe genérica de programas, o termo é habitualmente utilizado para descrever especificamente aplicações como o Google, AltaVista, Sapo e outras que permitem que os utilizadores pesquisem documentos na World Wide Web e USENET. Search engines são a chave para encontrar informação específica na Internet. Sem estes sofisticados mecanismos de busca seria virtualmente impossível localizar qualquer tema sem conhecer o URL específico . Um motor de busca da Web devolve uma lista de páginas (hits) – ficheiros de computador listados na Web – que contêm os termos de determinada consulta efectuada pelo utilizador. A maioria dos motores de busca permite que o utilizador junte diferentes termos como and , or , e not de forma a refinar a busca.
Normalmente, um motor de busca pesquisa através de uma base de dados de documentos HTML inicialmente reunida por Robots vulgarmente designados por spiders ou Web crawlers (programas que funcionam automaticamente sem intervenção humana e que dotados de algum grau de inteligência artificial conseguem reagir de forma inteligente a diferentes situações) que recolhem o maior número possível de documentos. Posteriormente, outro programa denominado Indexador (indexer) lê esses documentos e cria um índice baseado nas palavras contidas em cada documento (títulos , cabeçalhos ou campos especiais denominados meta tags ) . Cada motor de busca utiliza um algoritmo proprietário ou uma mistura com input humano para criar o seu índice de forma a que, idealmente, só resultados com significado sejam devolvidos em cada consulta.

SecondLife (Virtual World)
O Second Life (SL) criado em 2003 pela empresa Linden Labs é um dos mais importantes mundos virtuais (virtual world) existentes na World Wide Web .
Um mundo virtual é um ambiente simulado por computador onde os utilizadores residem e interagem entre si através de avatares (auto- representações ou alter-egos digitais do utilizador com recurso a representações gráficas tridimensionais, ícones bidimensionais ou, em sistemas mais antigos, textuais).
No second Life, os residentes podem explorar, conhecer outros residentes, socializar, participar em actividades individuais ou em grupo, viajar pelo mundo virtual e criar e trocar objectos e serviços virtuais entre os membros da comunidade.
Este local virtual 3D é totalmente construído pelos seus residentes, tendo graças ao fácil acesso, gratuitidade e possibilidade de lucro, crescido de forma exponencial desde que foi disponibilizado. A partir do momento em que se inicia a actividade o utilizador é confrontado com um universo de continentes digitais, povoados por elementos virtuais (avatares) com actividades de lazer e oportunidades de negócio. Cada utilizador pode criar elementos no mundo virtual e passa a ser o detentor desses produtos que pode vender ou trocar com os restantes habitantes. O Second Life possui uma moeda própria o Linden dollar que pode ser adquirida pelos cidadãos residentes.
Um complexo conjunto de factores económicos e técnicos têm de ser ponderados de forma a conseguir construir os melhores conteúdos e com isso gerar lucros. Os paralelismos com o mundo real são evidentes, neste mundo tudo se compra e é possível ter uma casa, um cão, ir à discoteca, comprar roupa nova, no fundo viver uma segunda vida. A evolução deste espaço virtual sente-se na qualidade dos objectos com que o mundo vai sendo povoado, tal como no mundo real, a qualidade de construção e sofisticação vai melhorando, factor que está ligado à evolução do ser humano e à constante procura de superar as suas dificuldades.

Skype
Software gratuito de comunicação via Internet que permite a comunicaçãode texto, voz e vídeo entre os utilizadores do programa.
O Skype foi fundado em 2003 e tornou-se uma ferramenta revolucionária na forma de comunicar na Internet. Todos os dias, milhões de pessoas recorrem ao Skype para comunicar gratuitamente através de chamadas de voz, vídeo e de mensagens instantâneas. O Skype oferece três tipos de serviços:
» O VoIP Skype, que permite aos utilizadores estabelecerem uma comunicação áudio entre si, tem capacidade de realização de conferência até 4 utilizadores;
» O Instant Message Skype que possibilita a troca de mensagens de texto em tempo real;
» Serviços de voz pagos que facultam aos utilizadores iniciarem e receberem chamadas para números de telefone.
O Skype já foi descarregado mais de 500 mil milhões de vezes. Em 2005 foi adquirido pelo eBay Inc. (NASDAQ: eBay).

Bibliografia
Carvalho, Ana Amélia A., Manual de ferramentas da Web 2.0 para professores.
http://www.min-edu.pt/outerFrame.jsp?link=http%3A//www.erte.dgidc.min-edu.pt/publico/web20/manual_web20-professores.pdf
Cardoso ,Vítor (2007) Informação e Sistemas de Informação Universidade Aberta
Battelle,John (2003)The Search – Como o Google mudou as regras do negócio e revolucionou a cultura, Casa das Letras
http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipédia
http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/glossary/view.php?id=89598 http://www.digitalnative.org/wiki/Glossary

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Google

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Second Life

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Skype

Intervenções_Nativo Digital vs Emigrante Digital

Fórum A1 -> Trabalho Final- Grupo Verde -> Re: Trabalho Final- Grupo Verde por Pedro Coelho do Amaral - Sexta, 20 Março 2009, 08:27

Caros colegas e professoras,
Ao desenvolver o perfil do estudante digital, os diferentes grupos plasmaram nas suas apresentações as ideias do autor Mark Prensky.
Essas ideias, originais na forma e no conteúdo, nomeadamente na própria abordagem dos conceitos de nativo digital e imigrante digital ou na análise cuidada da ruptura e descontinuidade entre gerações, padecem no entanto de um problema que normalmente ocorre quando se tenta discutir realidades complexas através de uma visão dicotómica.
A realidade mostra-me, e contacto diariamente com alunos dos 16 aos 18, que não existe de forma tão expressiva, pelos menos à luz da realidade portuguesa, um estudante digital na verdadeira acepção do conceito por detrás das reflexões do autor. Nem tão-pouco uma homogeneidade geracional que permita afirmar que os nossos estudantes partilham um perfil identitário comum e que isso implique que as suas práticas educativas sejam radicalmente diferentes relativamente a gerações anteriores. Existem sim, diferenças de natureza económica, cultural e social que impedem esse isomorfismo cultural, inclusive questões básicas relacionadas com o acesso aos equipamentos informáticos ou à internet. Aliás, paradoxalmente, como docente do ensino artístico especializado, deparo-me frequentemente com fenómenos de contra-cultura, de fuga consciente a uma abordagem digital dos projectos artísticos e à necessidade de um reencontro com o carácter analógico da arte por parte dos alunos.
Por isso, considero que o excessivo optimismo do autor, a sua fervorosa crença nas capacidades globalizantes da tecnologia como elemento chave do processo educativo influenciaram de sobremaneira o perfil idealizado pela maioria dos grupos. Porventura, os perfis traçados centraram-se demasiadamente nas competências tecnológicas dos alunos e negligenciaram uma abordagem aos valores e atitudes do aluno face à aprendizagem ou às capacidades cognitivas a desenvolver pelo estudante digital. Essa abordagem resultou numa definição de perfil de estudante digital de certa forma acrítica, e tal como a professora referiu, demasiado centrado nos seus “critérios e apenas nos seus interesses”.
Respondendo de uma forma directa à 1ª questão colocada pela professora, entendo que a aprendizagem não se pode centrar simplesmente nos critérios e interesses dos alunos sobre o risco de comprometermos o próprio futuro desse mesmo aluno e da educação como instrumento de aprendizagem contínua e ferramenta de valorização pessoal.
Ao longo de décadas a escola tem sido, justamente, acusada de centrar o ensino nos interesses dos professores e num processo de ensino-aprendizagem baseado na acumulação de saberes e posterior validação através de exames. A visão que nos é apresentada por estes perfis leva-nos na direcção exactamente oposta, isto é numa visão da aprendizagem concentrada única e exclusivamente nos interesses particulares do aluno e nos seus processos de aprendizagem claramente autodidácticos. Essa visão é na minha opinião errada, redutora e contrária ao espírito da aprendizagem como espaço de conhecimento e partilha. Qual seria o papel dos professores e educadores perante a necessidade de subordinação aos ditames particulares dos interesses específicos de cada aluno? Seria, provavelmente reduzido, de mera orientação, uma espécie de manual de instruções, de fácil consulta e leitura rápida. Um professor ou um educador é muito mais que isso, é um construtor de consciência, uma fonte de inspiração.
O processo ensino-aprendizagem deverá portanto jogar-se numa dialéctica, numa partilha entre o que é necessário e suposto ensinar e os reais interesses dos alunos, adaptando, mas nunca cedendo perante visões empobrecedoras da infinita riqueza do acto de aprender.
Relativamente à resposta à 2ª questão, e porque o texto já vai longo, reflectirei no próximo comentário.
Até breve.
Pedro Coelho do Amaral
Fórum A1 -> Trabalho Final- Grupo Verde -> Re: Trabalho Final- Grupo Verde
por
Pedro Coelho do Amaral - Segunda, 23 Março 2009, 08:08
Estará o novo estudante digital mais preparado para o futuro do que o imigrante digital?"
No seguimento do que declarei na minha anterior intervenção, reafirmo que um ensino centrado nos critérios dos alunos e apenas nos seus interesses resultaria numa aprendizagem amputada das diferentes dimensões do processo ensino-aprendizagem.
Porém, afastando-nos desse perfil de competências tecnológicas e respondendo directamente à 2ª questão, é obvio que um aluno que possui as competências em tecnologias da informação e comunicação estará à partida melhor preparado para enfrentar os desafios do futuro, numa sociedade que assenta os seus princípios em critérios de maior exigência tecnológica, de integração multidisciplinar de saberes e autonomia no desenvolvimento de trabalho projectual. Da mesma forma, é perfeitamente possível afirmar que um estudante que adquira sólidos conhecimentos de língua inglesa ou que invista na sua carreira de estudante certamente obterá mais valias que lhe serão úteis enquanto futuro profissional. Penso também que uma das questões fundamentais a considerar, e daí pensar que esta divisão hermética adquire contornos redutores, é que a aprendizagem deve ser pensada como um projecto de vida e ao longo da vida. Tão determinante, que chega a ser considerado, pela Unesco, no Relatório sobre Educação para o século XXI organizado por Jacques Delour, como um desígnio “Colocar a educação ao longo de toda a vida no coração da sociedade” (pag18).
Será certamente possível, mesmo para aqueles imigrantes que não tendo nascido na era digital, investir o seu tempo e os seus recursos cognitivos na aquisição das competências tecnológicas necessárias. Aliás, bastante mais preocupante é o facto de na mesma geração de jovens estudantes existirem novas situações de exclusão, pela impossibilidade de acesso aos recursos tecnológicos e à banda larga. Evitar que a escola não agrave desigualdades económicas e sociais deverá ser uma das principais preocupações dos governos ao implementarem planos tecnológicos na educação.
Nesse sentido, a questão não se deve centrar na tecnologia mas na pedagogia ou no desenvolvimento curricular associado a essas mesmas tecnologias, tendo como objectivo integrar os novos saberes e competências que os alunos adquirem em espaços de educação não-formal e transporta-los para o contexto da prática educativa na sala de aula.
A instituição escolar, mesmo com o advento da massificação, sempre se caracterizou por ser altamente elitista, tradicionalista, formatada para transmitir um conjunto de valores homogéneos para todos, indiferente às diferenças individuais ou culturais e por isso geradora de divisões, perpetuadora de desigualdades, inclusive sociais. Também costuma ser muito lenta a reagir e integrar os novos inputs da sociedade, baseando a distribuição do saber em conteúdos muitas das vezes obsoletos e mais direccionados para a sua acumulação do que para a sua aplicação em contextos práticos. As tecnologias da comunicação e informação poderão ser uma excelente ferramenta para, como afirma o sociólogo de educação Rui Canário no seu desconcertante livro A Escola tem futuro? - Das promessas às incertezas” conseguir “ligar a Escola à vida”.
Pedro Coelho do Amaral
Fundamentação da escolha das Intervenções
As razões que presidiram à escolha destas intervenções em detrimento de outras que considero igualmente válidas devem-se sobretudo ao facto de eu considerar que respondem de uma forma clara, objectiva e encadeada aos objectivos da discussão levada a cabo no respectivo fórum A1. Reflectem uma visão crítica muito pessoal sobre a obra do autor Mark Prensky e ao mesmo tempo tentam trazer para a discussão, de uma forma fundamentada, diferentes questões e desafios sobre a temática abordada, respondendo às duas questões colocadas. Comparando com sintese que a professora elaborou a partir discussão no forúm, penso que nestas duas intervenções estão vertidos muitos dos aspectos referidos.
Pedro Coelho do Amaral

domingo, 29 de março de 2009

Comentário / Reflexão_Nativo Digital versus Emigrante Digital

Perfil do Estudante Digital – Comentário / Reflexão Pessoal
Objectivos: Identificar e discutir as características atribuídas ao estudante digital.
Competências: Definir o perfil do estudante digital


Comentário

Com uma clara dificuldade pessoal em separar e distinguir, em determinados momentos, comentário de reflexão, e correndo o sério risco de me repetir, começo num primeiro momento por analisar esta primeira actividade do ponto de vista da proposta de trabalho, seus objectivos a atingir e competências a adquirir e concluo com uma análise do trabalho realizado por mim e pelo grupo com o qual trabalhei.
A primeira actividade na disciplina de Medias Digitais e Socialização teve como objectivo reflectir sobre aquele que foi, ao longo deste percurso, o objecto de estudo desta unidade curricular, ou seja, o nativo digital, enquanto representante da primeira geração que cresceu com as novas tecnologias (Prensky:2001,1).
Para isso foi-nos proposto como percurso de aprendizagem a leitura e análise de duas obras de Mark Prensky com o objectivo de, numa primeira fase de forma individual e posteriormente enquanto grupo de trabalho, traçarmos o “Perfil do Estudante Digital”.
Estes textos, e numa análise mais fria e distante, foram fundamentais para enquadrar e fundamentar algumas ideias transversais que foram sendo trabalhadas ao longo deste semestre. Ideias essas que permitiram traçar algumas marcas identitárias dos estudantes de hoje e que permitiram lançar, posteriormente, as bases da discussão sobre a forma como os novos meios digitais e as novas formas de interacção por eles proporcionadas às crianças e jovens têm uma influência significativa no desenvolvimento pessoal, nomeadamente nos processos de construção da identidade e de socialização destas gerações.
Nesse sentido, o trabalho de leitura, pesquisa e debate desenvolvido essencialmente por mim, pelo Rui Fernandes e pela Sandra Sousa e vertido na forma de um documento PowerPoint, acabou por responder aos objectivos da proposta, pois permitiu-nos identificar as principais características do estudante digital e forneceu-nos as competências necessárias para posterior debate no Fórum.
Em jeito de análise do processo ensino-aprendizagem devo referir que esta primeira actividade realizada na unidade curricular de MDS foi bastante importante. O primeiro motivo prende-se com o facto de pela 1º vez estarmos a trabalhar em grupo num projecto com o objectivo de ser apresentado aos restantes colegas da turma e com o peso da avaliação associado. O segundo motivo, também ele inovador, foi o contacto com o fórum e com a sua forma de funcionamento, os seus ritmos, normas e procedimentos. Nesse sentido, esta 1º actividade resultou numa especie de baptismo de fogo, mas que acabou por se concretizar da melhor forma. Devo salientar a pertinência dos conteúdos propostos, não só pelo que acima referi, mas também pela clareza e brilhantismo dos textos apresentados que funcionaram como factor motivacional para o grupo.
Pelos motivos descritos acabo este comentário referindo que gostei imenso da actividade realizada e a partir deste momento arranjei dois colegas que me foram acompanhando nos restantes projectos de uma forma inexcedível.

Pedro Coelho do Amaral

Reflexão Pessoal

Da leitura dos textos surgiu a percepção de que pela 1º vez, na história da civilização humana, existe uma geração nascida e criada num contexto integralmente digital, imersos numa cultura tecnológica e que esse facto representa na prática um corte geracional profundo com as gerações que a precedem. Prensky através de uma analogia extremamente feliz e perspicaz perspectiva esse confronto numa clara distinção entre os nativos digitais, que sempre viveram imersos numa realidade digital e os emigrantes, ou seja, os elementos adultos da sociedade que vivem numa espécie de limbo, navegando entre os dois mundos, num esforço de se adaptar a uma nova realidade digital mas ainda agarrados ao mundo analógico em que cresceram.
Apesar de esta reflexão assumir em alguns aspectos um carácter redutor e caricatural (como referi nas minhas intervenções), a realidade demonstra-nos que esse corte geracional é real e reflecte a incapacidade da sociedade como um todo, e da escola e da família em particular, em compreender a abrangência dos processos de mudança em curso. Essa revolução como é referido por Mark Prensky está patente na forma como esta nova geração digital pensa, comunica, socializa, aprende, cria, troca, compra, vende ou partilha, por exemplo. Contudo, mais do que pormenorizar as novas características do nativo digital e consequentemente do seu perfil enquanto estudante (exaustivamente trabalhado e discutido) importa referir que da discussão que se gerou em torno do assunto resultaram algumas reflexões que importa destacar:
A primeira constatação reflecte a necessidade da sociedade compreender esse fenómeno e dentro da sociedade destacar o papel da Escola e do professor enquanto vectores chave na aproximação das duas realidades. Em vez de funcionarem como uma ilha isolado, a escola e os professores precisam adaptar-se às características do seu público-alvo e adaptar a sua linguagem a essa nova realidade. O confronto desigual entre aquilo que a escola tem para oferecer e as vivências e a realidade dos jovens exige uma mudança de paradigma educacional. Essa mudança deve permitir uma conciliação, um aproximar de interesses dos alunos e da necessidade formal da Escola de transmitir conteúdos estruturantes. Falar sobre um ensino centrado no aluno é uma questão que é anterior ao advento da sociedade digital. Dewey e outros teóricos da educação à muito alertam para a necessidade de colocar o aluno como centro de toda a actividade educativa. No entanto, nunca como hoje a questão se tornou tão premente, requerendo uma mudança profunda na práxis educativa.
Uma mudança que terá que ser forçosamente multidisciplinar e deverá incluir, entre outros aspectos, uma alteração de currículos, da natureza das diciplina, dos conteúdos, da formação profissional e da atitude reflexiva dos professores. Exigirá também a adaptação dos materiais escolares tornado-os mais próximos da linguagem digital que os alunos compreendem e da própria forma de organização e do tempo escolar, de metodologias orientadas para os alunos, aproveitando o seu conhecimento e as suas experiências de vida. Não se trata de ceder aos desejos do aluno, mas compreender que o aluno de hoje é diferente do aluno tipificado ou idealizado pelo sistema escolar, tendo inclusivamente uma forma diferente de pensar e utilizar as suas capacidades cognitivas. Naturalmente que a escola necessita continuar a fornecer aos alunos as ferramentas pedagógicas-didácticas que lhe permitam usar os conhecimentos tecnológicos que possuem em actividades de aprendizagem úteis. Como foi referido por diversas vezes a tecnologia é um meio e não um fim em si mesmo e torna-se necessário ensinar os alunos a utiliza-las em seu beneficio através de uma aprendizagem significativa. Relativamente à reflexão do papel do professor e do aluno, esta abordagem remeteu-me para uma abordagem teórica denominada de Conectivismo de George Siemens e que se assume como uma teoria da aprendizagem para a era digital. O Conectivismo é um enquadramento teórico recente, desenvolvido com o objectivo de fornecer uma teoria de aprendizagem orientada para os novos contextos educativos de educação formal e não-formal na era digital. O Conectivismo fornece uma perspectiva sobre as competências e tarefas de aprendizagem necessárias para que os alunos possam prosperar neste novo enquadramento. Este novo paradigma tecnológico, assente no rápido desenvolvimento tecnológico e no aumento exponencial no uso da Internet, dos diapositivos móveis de comunicação e nos ambientes virtuais de aprendizagem exige novas e diferentes estruturas educacionais e organizacionais, o que acarreta profundas alterações no processo tradicional de ensino-aprendizagem. A Internet tem causado uma mudança de poder na sala de aula através da qual os alunos têm agora maior acesso à informação, à opinião de peritos e dos seus colegas. Essas alterações plasmam-se em novos processos de aquisição e organização do Conhecimento centrados na figura e na experiência do aluno e moldam-se nas chamadas Redes (networks) ou Comunidades de Aprendizagem. Torna-se importante reconhecer a importância de saber “aonde” se encontra a informação e não somente saber “o quê e como”. O sucesso de um aluno reside na forma como este é capaz de se ligar a esses novos contextos de aprendizagem e organizar as diferentes fontes de informação, enquanto que o sucesso do professor ou educador define-se pela forma como desenvolve estratégias para auxiliar e orientar o aluno nesse complexo processo. O professor é então encarado, nesta teoria, como um orientador na imensidão de informação existente.
No fundo, ao trazer a esta reflexão a abordagem conectivista pretendo mostrar que os processos de ensino-aprendizagem já não se podem remeter a uma visão datada da escola. As novas tecnologias vieram revolucionar a forma como aprendemos. Parece-me, uma vez mais, que a escola e os professores ainda não conseguiram ou puderam compreender essa mudança irreversível.
Naturalmente que num ensino desta natureza o estudante digital estará melhor preparado para fazer enfrentar o futuro pois, em principio, possui as competências tecnológicas e o dominio da linguagem para responder aos desafios. No entanto, esse domínio dos meios tecnólogicos não pressupõe à partida uma vantagem face aos restantes membros da sua geração nem tão pouco uma correcta utilização desse conhecimento em prol de actividades que sejam efectivamente importantes.
Será este um dos grandes desafios que enfrentam os sistemas públicos de ensino. Sabemos que a escola é a base e o sustentáculo da sociedade em que vivemos. Graças a ela tantas conquistas foram alcançadas, mas também graças a sua imobilidade tantas coisas ficaram por alcançar. Numa altura em que, como refere Rui Canário, a escola já não consegue responder ao seu desígnio de mobilidade social, só uma escola capaz de transmitir uma aprendizagem significativa poderá triunfar (triunfar no sentido de cumprir o seu papel) na era digital.
Pedro Coelho do Amaral

Bibliografia

Prensky, M. (2004) The Emerging Online Life of the Digital Native: What they do differently because of technology and how they do it. 1-14.
Prensky, M. (2001) Digital natives, digital immigrants. In On The Horizon (Vol9, nº 5). NCB University Press.

http://www.elearnspace.org/Articles/connectivism.htm

Estudante Conectivista

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Kids Today

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Teatchers Today