Mostrar mensagens com a etiqueta Reflexão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reflexão. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Comentário/Reflexão_Análise da Identidade em Sites Sociais

Grelha de Análise de Sites Sociais de Jovens

Objectivo: Identificar as marcas identitárias da adolescência em sites sociais de jovens.

Competências: Construção de uma grelha de análise de marcas identitárias em sites sociais de jovens. Análise de um site social de jovens, tendo por base a grelha construída.

Comentário

Esta actividade representa o culminar de um processo de construção e solidificação de conhecimentos que foi sendo desenvolvido ao longo desta unidade curricular. Após o desenrolar das actividades anteriores tornou-se possível adquirir as competências que nos permitiram, de uma forma prática, objectiva e fundamentada, desenvolver um estudo que permitisse identificar marcas identitárias da adolescência nos novos meios digitais, em particular em sites sociais.
Como proposta de trabalho foi-nos pedido que construíssemos uma grelha de análise de sites pessoais, partindo de uma das diferentes redes sociais existentes. O objectivo como consta na proposta seria o de elaborar uma grelha que permitisse desenvolver um instrumento de análise sistematizado e que posteriormente permitisse identificar e reflectir sobre as marcas identitárias da adolescência. A nossa escolha, devidamente fundamentada no documento que suporta o trabalho do grupo Reaage, recaiu sobre o Hi5. Mais do que reflectir sobre as conclusões a que chegamos após essa análise, pois penso que as sínteses que apresento reflectem de uma forma bastante completa essas conclusões, importa esclarecer que muita da informação recolhida foi de encontro aquilo que havia sido discutido ao longo das restantes actividades.
Relativamente ao trabalho de grupo desenvolvido tudo correu, mais uma vez, da melhor forma possível, tendo todos os elementos contribuído para o desenvolvimento do trabalho.

Pedro Coelho do Amaral

Reflexão

Numa perspectiva cronológica fase à progressão da nossa aprendizagem nesta unidade curricular, podemos estabelecer um conjunto de conclusões que encontram pontos de encontro com o que foi sendo estudado. Essas conclusões permitem chegar à conclusão que os novos meios digitais funcionam como uma ferramenta, um meio de socialização e construção da identidade e por isso reflectem um conjunto de marcas identitárias e que se torna necessário desenvolver mais estudos para se compreender como os jovens se socializam. Aliás estas análises confirmam questões fundamentais sobre o papel das redes sociais enquanto espaços públicos de interacção e socialização. Fóruns de criação de regras e normas sociais, nos quais os adolescentes tentam definir a sua identidade, testar as suas capacidades e defender os seus pontos de vista, desbravando caminho na procura do seu papel na sociedade adulta que anseiam almejar. Como através da experimentação e da necessária validação perante os outros, como tantas vezes referimos ao longo desta disciplina. As redes sociais ou SNS (Social Network Sites) vêm atraindo progressivamente milhões de utilizadores, em especial os adolescentes pois possuem, de uma forma geral, um conjunto de pressupostos que facilitam e exponenciam o processo de comunicação e socialização. Essa redes permitem que o adolescente construa o seu próprio perfil, seja este público ou semi-público no qual plasma a sua identidade, ou como refere (Sundén, 2003, p. 3) no qual "type oneself into being". Algumas possíveis conclusões:
» Os resultados permitem concluir que os jovens analisados inserem-se na categoria dos nativos digitais, não só porque pertencem a essa faixa etária, mas fundamentalmente porque apresentam características que demonstram que a sua forma de comunicar, socializar, criar, etc, são compatíveis, até certo ponto, com a analogia de Prensky.
» Pela análise dos comentários e reflexões que surgiram após a publicação das respectivas análises, torna-se perceptível que alguns "emigrantes digitais" da turma apresentam uma visão bastante negativa do comportamento e atitudes dos jovens nativos, assumindo frontalmente o tal fosso geracional e uma certa incapacidade em compreender alguns desses comportamentos.
» Os resultados das diferentes grelhas permitiram também concluir que efectivamente os adolescentes atravessam durante a adolescência um processo de construção da sua identidade e que as redes sociais são verdadeiramente um meio onde constroem a sua personalidade, onde se apresentam perante os outros (erickson) em novos espaço de socialização. Os adolescentes utilizam estes recursos como uma espécie de diário onde expressam o se eu. Nota-se claramente a necessidade de demonstrar competências técnicas e sociais que são representadas pela forma como os conteúdos são apresentados. A confirmação de que, de um modo geral, existem diferenças entre sexos seja na linguagem, na forma de apresentação gráfica e tecnológica dos sites, na maneira como se mostram através de fotografias, etc.
» A existência de um linguagem especifica ou netspeak que com algumas variações é transversal nos diferentes sites analisados
Para terminar esta reflexão convêm referir uma vez mais a questão da segurança como uma questão transversal ao longo deste percurso. Como refiro nas minhas reflexões torna-se necessário um acompanhamento das actividades on-line dos nossos jovens e uma nova atitude pedagógica não só das famílias como das escolas e a da sociedade de uma forma geral.

Pedro Coelho do Amaral

Bibliografia:
Os recrsos disponibilizados nos Temas 2 e 3.

BOYD, d. m., & ELLISON, N. B. (2007). Social network sites: Definition, history, and scholarship. Journal of Computer-Mediated Communication, 13(1), article 11. http://jcmc.indiana.edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html Huffaker, D. A., and Calvert, S. L. (2005).

Gender, identity, and language use in teenage blogs. Journal of Computer-Mediated Communication, 10(2), article 1. http://jcmc.indiana.edu/vol10/issue2/huffaker.html Recuero, Raquel (2008) Um estudo do capital social gerado a partir de Redes Sociais no Orkut e nos Weblogs Revista FAMECOS Porto Alegre nº 28 dezembro 2005 quadrimestral


terça-feira, 26 de maio de 2009

Comentário/Reflexão_Media Digitais e Construção da Identidade Social

Actividades Sociais e Desenvolvimento da Identidade nos Jovens

Objectivo: Reconhecer a influência dos media digitais na construção da identidade social dos jovens.

Competências: Analisar e discutir o papel dos media digitais na construção da identidade social dos jovens.

Comentário

Esta terceira actividade surge como o prolongamento do que havia sido abordado no tema anterior. Do ponto de vista de aquisição de conhecimentos foi a que considerei mais complexa pela extensão e abrangência dos conteúdos mas ao mesmo tempo a mais estimulante e enriquecedora. A leitura das sínteses e posterior discussão permitiu adquirir uma visão global do papel de diferentes media digitais na construção social dos jovens e Identificar os tipos de utilização dos media digitais por parte das gerações mais jovens. Se na actividade anterior a reflexão centrou-se nos blogues e nas páginas pessoais, nesta fase podemos adquirir uma maior abrangência tendo em atenção outros meios digitais e outras características que permitem percepcionar a identidade social dos jovens plasmada e moldada na sua relação com os novos meios digitais.
O trabalho desenvolvido pelo meu grupo de trabalho habitual, ao qual se juntou a Paula, foi uma vez mais executado de forma irrepreensível e em perfeita sintonia. Neste trabalho fizemos uma síntese do artigo Mobile Identity: Youth, Identity, and Mobile Communication Media” de G. Stald, (2008). Este texto revelou-se bastante interessante e dele tirei algumas perspectivas pertinentes tais como a ideia de que para o adolescente um telemóvel representa muito mais que um simples dispositivo de comunicação, contrariamente à maioria dos adultos. É um meio de comunicação de duplo sentido que funciona como ferramenta de comunicação, mas sobretudo como meio de socialização inter pares. Retirei também, entre outros aspectos, a percepção das teias de relação que se estabelecem entre as características móveis da tecnologia e as características também elas móveis da identidade dos jovens, alicerçadas em processos de contínua transformação e afirmação pessoal.
Para além do documento que sintetizamos devo referir também que os restantes textos e a posterior discussão que se segui, apresentaram perspectivas que enriqueceram, como acima referi, os meus conhecimentos sobre a temática desenvolvida nesta unidade curricular. Nesse sentido, considero que esta foi a actividade mais proveitosa, do ponto de vista da aprendizagem significativa, de todas as realizadas até ao momento.

Reflexão
Nesta reflexão não pretendo debruçar-me directamente sobre os dados recolhidos e discutidos, ainda para mais porque me iria repetir em relação ao que foi referi nas minhas intervenções e na dos meus colegas, mas antes meditar sobre todo o processo em si mesmo.
Como afirma Negroponte em Be Digital (13) enquanto se discute à tanto tempo e de uma forma tão intensa a transição da era industrial para a era pós-industrial, tem passado despercebido à maioria das pessoas que caminhamos a passos largos para a era da pós-informação, num mundo em que as profundas mudanças afectam de forma irreversível o ser humano, não só nas interacções económicas, mas sobretudo no mais íntimo do seu ser, a identidade, a interacção social e a produção cultural. Ou seja, enquanto estamos nós, adultos emigrantes, a debater questões que são irreversíveis, os nossos adolescentes são já o produto dessa fase pós-informação na qual a tecnologia e os meios digitais em especial, à boa maneira de McLuhan tornam-se uma extensão do corpo humano (ou, se preferirmos uma segunda pele). Noutro artigo, The DNA of Information - Bits and Atoms, Nicholas Negroponte refere que vivemos cada vez mais alicerçado numa realidade digital, quantificada sobre a forma de bits e bytes, que progressivamente vem substituindo ou complementado a nossa realidade analógica, composta de átomos. Se analisarmos os novos espaços de construção da identidade social que temos vindo a analisar como as redes sociais, os telemóveis, as páginas pessoais, os blogs, etc, e se juntarmos a isto outras redes de partilha de conteúdos como o youtube, os jogos de computador multiutilizador ou o ainda não explorado (por esta faixa etária) Second Life, podemos perceber que o futuro da nossos jovens, e das gerações que se seguirão, serão tendencialmente vivido em mundo virtuais. . Parafraseando José B. Tercero no seu livro Sociedade Digital (1996:31) “ A substituição do átomo pelo bit, do físico pelo digital, a um ritmo exponencial, acabará por converter o homo sapiens em homo digitalis.” É sobre essa perspectiva que é preciso pensar a forma como esducamos e formamos os nossos jovens.

Pedro Coelho do Amaral

Texto 1
Weber, S.; Mitchell, C. (2008). Imaging, Keyboarding, and Posting Identities: Young People and New Media Technologies. In Youth, Identity, and Digital Media: 25-47.
Texto 2
Stern, S. (2008). Producing Sites, Exploring Identities: Youth Online Authorship. In Youth, Identity, and Digital Media: 95-117.
Texto 3
Boyd, D. (2008). Why Youth ♥ Social Network Sites: The Role of Networked Publics in Teenage Social Life. In Youth, Identity, and Digital Media: 119-142.
Texto 4
Stald, G. (2008). Mobile Identity: Youth, Identity, and Mobile Communication Media. In Youth, Identity, and Digital Media: 143-164.
Texto 5
Goldman, S.; Booker, A., & McDermott, M. (2008). Mixing the Digital, Social, and Cultural: Learning, Identity, and Agency in Youth Participation. In Youth, Identity, and Digital Media: 185-206.
Texto 6
Yardi, S. (2008). Whispers in the Classroom. In Digital Youth, Inovation, and the Unexpected: 143-164.

Nicholas Negroponte http://archives.obs-us.com/obs/english/books/nn/bdcont.htm



Sintese Global Texto 4


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Comentário/Reflexão_Identidade Social na Adolescência

Discussão do Processo de Construção da Identidade na Adolescência

Objectivo: Identificar as características e discutir o processo de construção de identidade na adolescência.

Competências: Analisar o processo de construção da identidade durante o período da adolescência


Comentário

Após a primeira actividade em que o trabalho desenvolvido permitiu identificar, discutir e definir algumas das principais características atribuíveis ao estudante digital, através de uma caracterização exaustiva do seu perfil, esta segunda proposta resultou num aprofundar do nosso conhecimento sobre o objecto de estudo, no sentido de identificar as suas características através da análise do processo de construção da identidade durante o período da adolescência e tendo em conta abordagens teóricas e estudos exploratórios sobre os novos espaços de socialização proporcionados pelos meios digitais.
Os recursos de aprendizagem disponibilizados e a posterior discussão que se seguiu permitiram compreender e demonstrar a importância desses novos meios digitais, no caso particular os blogs e páginas pessoais, nos processos de construção da identidade e de socialização naqueles que, no trabalho anterior, aprendemos a designar por Nativos Digitais, em contraponto com os processos tradicionais de construção da personalidade e socialização do mundo off-line.
Compreendemos que, apesar da identidade ser um processo de desenvolvimento pessoal que se inicia no nascimento e termina na velhice, como refere Erikson (1968) nos oito estádios do Ciclo da Vida, é na etapa de desenvolvimento da adolescência que se processa a aquisição/construção de um sentido estável de identidade e direcção baseado em experiências pessoais que envolvem sucesso e satisfação combinadas com aceitação social e reconhecimento. É uma etapa que se centra num conflito entre Identidade vs confusão de Identidade e um passo crucial na transformação do adolescente em jovem adulto psicossocialmente maduro e produtivo.
Partindo da análise e constatação que os pré-adolescentes e adolescentes utilizam cada vez mais ambientes virtuais de interacção e socialização, tais como weblogs, páginas pessoais e outras redes de comunicação, tentamos debater como e de que forma esses ambientes, de carácter flexível e potencialmente anónimo, são utilizados na construção, expressão e exploração das suas identidades em formação e na edificação de comunidades em rede que essas ferramentas potenciam.
Do ponto de vista pessoal, devo referir que gostei bastante do tema abordado. Trabalhando diariamente com adolescentes, posso afirmar que a leitura e análise dos textos sobre o processo de construção da identidade durante o período da adolescência e posterior discussão permitiu-me compreender melhor um conjunto de questões relacionadas com os seus comportamentos e atitudes e a importância dos novos meios digitais no processo de construção da identidade social. Provavelmente todos nós nos esquecemos em grande parte dos acontecimentos que marcaram esta etapa da nossa vida. Este trabalho despertou-me para uma fase da vida já esquecida, mas no qual revi inúmeros aspectos.
Ao nível do trabalho desenvolvido destaco o meu esforço na pesquisa, análise e apresentação de outros recursos educativos que penso terem contribuído para uma melhoria na discussão em fórum.

Pedro Coelho do Amaral

Reflexão

Foi bastante interessante verificar algo sobre o qual nunca havia reflectido, ou seja, a influência da internet e das aplicações/ferramentas digitais associadas e a importância do papel que desempenham na construção da identidade durante a fase da adolescência. Um dos aspectos centrais que retirei da leitura dos recursos e da posterior discussão que se segui foi o facto dos jovens vivenciarem sentimentos de competência quando constroem blogs ou páginas pessoais. Dito de outra forma, a necessidade que os pré-adolescentes e adolescente têm em sentir que conseguiram alcançar ou dominar determinadas aptidões de forma a avançarem no processo de descoberta de quem realmente são, ou seja a formação da identidade. Reflectir sobre como esta nova forma de expressão, através do recurso a meios digitais, permite o domínio de aptidões tecnológicas e sociais contribuindo de forma marcante para o desenvolvimento da sua identidade, funcionando como um fórum de expressão, socialização e em muitos casos de intimidade.
Enquanto adolescente que fui, lembro-me perfeitamente da importância de demonstrar perante os outros as minhas capacidades em domínios como o desporto, a música, o desempenho escolar, ou a capacidade de ter amigos e, já agora, amigas. Apesar de pertencer à geração do Spectrum não me recordo que o domínio da tecnologia assumisse um papel tão importante para a construção da minha identidade. No entanto hoje a realidade é bem diferente. Se os jovens vivem e passam grande parte das suas vidas para lá do ecrãn do computador torna-se natural que esta nova arena assuma uma importância crescente nas suas vidas. Consequentemente, torna-se também importante que o sucesso que obtêm no domínio das tecnologias associadas se assuma um aspecto de afirmação perante os outros.
Outro aspecto interessante que esta actividade permitiu foi percepcionar que perante estes novos meios digitais os jovens têm a possibilidade, de uma forma livre e privada e dominando o seu próprio espaço e tempo, de se expressar publicamente e anonimamente perante uma grande audiência. Neste processo de interacção os jovens preferem expor aspectos interiores das suas identidades, omitindo ou filtrando factores externos como etnicidade, saúde, aparência e outras referências que possam contribuir para quebrar o carácter anónimo das interacções.
As razões porque criam páginas pessoais são diversas e apontam para o facto do carácter anónimo dessas interacções permitir, pela ausência de medo ou vergonha implícita, processos de expansão do seu mundo social ou aprofundar relações existentes e criar um espaço de auto-apresentação das suas emergentes identidades face a outros. Os estudos que analisamos também reflectiram sobre variantes relacionadas com a idade ou género dos jovens e a forma como esses factores influem no desenvolvimento dos processos de construção e interacção.
Foi ainda possível através desta actividade compreender alguns aspectos interessantes potenciados pelos novos media que permitem uma exploração diferente dos processos identitários e novas formas de expressão. Compreender que os blogs ou páginas pessoais funcionam como uma espécie de diário, nos quais apesar dos adolescentes terem a possibilidade de se apresentar de uma forma ficcional, sob o manto de múltiplas e diversas faces perante os outros, preferiram manifestar-se tal como são na realidade, representado os blogs uma extensão do seu mundo real. Nesse sentido, os blogs funcionam como autênticos repositórios de informação pessoal, onde os adolescentes partilham as suas relações afectivas, traços de personalidade, opiniões, dados pessoais, etc., estimulando o acesso e troca de inúmeras formas de contacto entre diferentes utilizadores.
A linguagem utilizada com o uso intensivo de ecomotions e smileys que permitem exprimir sentimentos e emoções, adaptando uma aplicação mais gráfica ou textual consoante a complexidade do que pretendem transmitir. Compreender que esses recursos são utilizados para preencher algum do vazio da comunicação on-line, reflexo da inexistência do contacto facial ou a utilização de movimentos corporais que em situação de interacção analógica são utilizados para expressar pensamentos e emoções, permitindo acentuar ou enfatizar determinado tom ou significado e estabelecer o humor ou determinada impressão que o autor pretende transmitir.
Descobrir que os blogs funcionam como espaço de identidade e identificação sexual/afectiva e reflectem uma maturação dessa mesma identidade similar à que os adolescentes vivem na sua vida real. Funcionam também como uma excelente ferramenta para determinados grupos exporem sentimentos ou identidades sexuais que no exterior são alvo de reprovação.
A descoberta através da análise do tipo de linguagem e interacção social protagonizadas por rapazes ou raparigas reflecte, pelo menos na blogesfera, uma alteração dos padrões anteriormente considerados, prevendo uma progressiva alteração dos comportamentos socialmente preestabelecidos. Neste caso uma significativa alteração nos padrões de linguagem por parte de adolescentes femininas que, pela flexibilidade e liberdade dos meios digitais, demonstra a inexistência de uma divisão clara na forma de expressão e socialização face aos adolescentes rapazes.
Todos estes conhecimentos que retirei desta actividade fora elementos importantes para compreender a importância dos media digitais na vida dos adolescentes.
Outra das questões bastante debatida foi a segurança. Sendo esta turma constituída na sua grande maioria por professores e num grande nº de casos por pais, era natural que esse assunto fosse abordado. É naturalmente um assunto polémico e sujeito a discussão. Como foi referindo ao longo das discussões neste fórum, a perigosidade dos novos meios de socialização e construção de personalidade estão intimamente ligados com a capacidade da sociedade conseguir passar a mensagem aos mais jovens no sentido de os alertar para esses perigos e os ajudar a encontrar as suas enormes potencialidades.

Pedro Coelho do Amaral

Bibliografia

Recursos de Aprendizagem:
Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.
Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.
Recurso Complementar
Schoen-Ferreira, T.; Aznar-Faria, M.; Silvares, E. (2003). A construção da identidade em adolescentes: Um estudo exploratório. In Estudos de Psicologia, 8 (1), 107-115.

http://www.pewinternet.org/~/media/Files/Reports/2005/PIP_Teens_Content_Creation.pdf.pdf
http://www.pewinternet.org/Media-Mentions/2005/Teens-Dont-Blog-With-Strangers.aspx
http://www.boston.com/lifestyle/articles/2008/04/05/dear_blog/
http://www.pewinternet.org/Reports/2008/Writing-Technology-and-Teens.aspx

domingo, 29 de março de 2009

Comentário / Reflexão_Nativo Digital versus Emigrante Digital

Perfil do Estudante Digital – Comentário / Reflexão Pessoal
Objectivos: Identificar e discutir as características atribuídas ao estudante digital.
Competências: Definir o perfil do estudante digital


Comentário

Com uma clara dificuldade pessoal em separar e distinguir, em determinados momentos, comentário de reflexão, e correndo o sério risco de me repetir, começo num primeiro momento por analisar esta primeira actividade do ponto de vista da proposta de trabalho, seus objectivos a atingir e competências a adquirir e concluo com uma análise do trabalho realizado por mim e pelo grupo com o qual trabalhei.
A primeira actividade na disciplina de Medias Digitais e Socialização teve como objectivo reflectir sobre aquele que foi, ao longo deste percurso, o objecto de estudo desta unidade curricular, ou seja, o nativo digital, enquanto representante da primeira geração que cresceu com as novas tecnologias (Prensky:2001,1).
Para isso foi-nos proposto como percurso de aprendizagem a leitura e análise de duas obras de Mark Prensky com o objectivo de, numa primeira fase de forma individual e posteriormente enquanto grupo de trabalho, traçarmos o “Perfil do Estudante Digital”.
Estes textos, e numa análise mais fria e distante, foram fundamentais para enquadrar e fundamentar algumas ideias transversais que foram sendo trabalhadas ao longo deste semestre. Ideias essas que permitiram traçar algumas marcas identitárias dos estudantes de hoje e que permitiram lançar, posteriormente, as bases da discussão sobre a forma como os novos meios digitais e as novas formas de interacção por eles proporcionadas às crianças e jovens têm uma influência significativa no desenvolvimento pessoal, nomeadamente nos processos de construção da identidade e de socialização destas gerações.
Nesse sentido, o trabalho de leitura, pesquisa e debate desenvolvido essencialmente por mim, pelo Rui Fernandes e pela Sandra Sousa e vertido na forma de um documento PowerPoint, acabou por responder aos objectivos da proposta, pois permitiu-nos identificar as principais características do estudante digital e forneceu-nos as competências necessárias para posterior debate no Fórum.
Em jeito de análise do processo ensino-aprendizagem devo referir que esta primeira actividade realizada na unidade curricular de MDS foi bastante importante. O primeiro motivo prende-se com o facto de pela 1º vez estarmos a trabalhar em grupo num projecto com o objectivo de ser apresentado aos restantes colegas da turma e com o peso da avaliação associado. O segundo motivo, também ele inovador, foi o contacto com o fórum e com a sua forma de funcionamento, os seus ritmos, normas e procedimentos. Nesse sentido, esta 1º actividade resultou numa especie de baptismo de fogo, mas que acabou por se concretizar da melhor forma. Devo salientar a pertinência dos conteúdos propostos, não só pelo que acima referi, mas também pela clareza e brilhantismo dos textos apresentados que funcionaram como factor motivacional para o grupo.
Pelos motivos descritos acabo este comentário referindo que gostei imenso da actividade realizada e a partir deste momento arranjei dois colegas que me foram acompanhando nos restantes projectos de uma forma inexcedível.

Pedro Coelho do Amaral

Reflexão Pessoal

Da leitura dos textos surgiu a percepção de que pela 1º vez, na história da civilização humana, existe uma geração nascida e criada num contexto integralmente digital, imersos numa cultura tecnológica e que esse facto representa na prática um corte geracional profundo com as gerações que a precedem. Prensky através de uma analogia extremamente feliz e perspicaz perspectiva esse confronto numa clara distinção entre os nativos digitais, que sempre viveram imersos numa realidade digital e os emigrantes, ou seja, os elementos adultos da sociedade que vivem numa espécie de limbo, navegando entre os dois mundos, num esforço de se adaptar a uma nova realidade digital mas ainda agarrados ao mundo analógico em que cresceram.
Apesar de esta reflexão assumir em alguns aspectos um carácter redutor e caricatural (como referi nas minhas intervenções), a realidade demonstra-nos que esse corte geracional é real e reflecte a incapacidade da sociedade como um todo, e da escola e da família em particular, em compreender a abrangência dos processos de mudança em curso. Essa revolução como é referido por Mark Prensky está patente na forma como esta nova geração digital pensa, comunica, socializa, aprende, cria, troca, compra, vende ou partilha, por exemplo. Contudo, mais do que pormenorizar as novas características do nativo digital e consequentemente do seu perfil enquanto estudante (exaustivamente trabalhado e discutido) importa referir que da discussão que se gerou em torno do assunto resultaram algumas reflexões que importa destacar:
A primeira constatação reflecte a necessidade da sociedade compreender esse fenómeno e dentro da sociedade destacar o papel da Escola e do professor enquanto vectores chave na aproximação das duas realidades. Em vez de funcionarem como uma ilha isolado, a escola e os professores precisam adaptar-se às características do seu público-alvo e adaptar a sua linguagem a essa nova realidade. O confronto desigual entre aquilo que a escola tem para oferecer e as vivências e a realidade dos jovens exige uma mudança de paradigma educacional. Essa mudança deve permitir uma conciliação, um aproximar de interesses dos alunos e da necessidade formal da Escola de transmitir conteúdos estruturantes. Falar sobre um ensino centrado no aluno é uma questão que é anterior ao advento da sociedade digital. Dewey e outros teóricos da educação à muito alertam para a necessidade de colocar o aluno como centro de toda a actividade educativa. No entanto, nunca como hoje a questão se tornou tão premente, requerendo uma mudança profunda na práxis educativa.
Uma mudança que terá que ser forçosamente multidisciplinar e deverá incluir, entre outros aspectos, uma alteração de currículos, da natureza das diciplina, dos conteúdos, da formação profissional e da atitude reflexiva dos professores. Exigirá também a adaptação dos materiais escolares tornado-os mais próximos da linguagem digital que os alunos compreendem e da própria forma de organização e do tempo escolar, de metodologias orientadas para os alunos, aproveitando o seu conhecimento e as suas experiências de vida. Não se trata de ceder aos desejos do aluno, mas compreender que o aluno de hoje é diferente do aluno tipificado ou idealizado pelo sistema escolar, tendo inclusivamente uma forma diferente de pensar e utilizar as suas capacidades cognitivas. Naturalmente que a escola necessita continuar a fornecer aos alunos as ferramentas pedagógicas-didácticas que lhe permitam usar os conhecimentos tecnológicos que possuem em actividades de aprendizagem úteis. Como foi referido por diversas vezes a tecnologia é um meio e não um fim em si mesmo e torna-se necessário ensinar os alunos a utiliza-las em seu beneficio através de uma aprendizagem significativa. Relativamente à reflexão do papel do professor e do aluno, esta abordagem remeteu-me para uma abordagem teórica denominada de Conectivismo de George Siemens e que se assume como uma teoria da aprendizagem para a era digital. O Conectivismo é um enquadramento teórico recente, desenvolvido com o objectivo de fornecer uma teoria de aprendizagem orientada para os novos contextos educativos de educação formal e não-formal na era digital. O Conectivismo fornece uma perspectiva sobre as competências e tarefas de aprendizagem necessárias para que os alunos possam prosperar neste novo enquadramento. Este novo paradigma tecnológico, assente no rápido desenvolvimento tecnológico e no aumento exponencial no uso da Internet, dos diapositivos móveis de comunicação e nos ambientes virtuais de aprendizagem exige novas e diferentes estruturas educacionais e organizacionais, o que acarreta profundas alterações no processo tradicional de ensino-aprendizagem. A Internet tem causado uma mudança de poder na sala de aula através da qual os alunos têm agora maior acesso à informação, à opinião de peritos e dos seus colegas. Essas alterações plasmam-se em novos processos de aquisição e organização do Conhecimento centrados na figura e na experiência do aluno e moldam-se nas chamadas Redes (networks) ou Comunidades de Aprendizagem. Torna-se importante reconhecer a importância de saber “aonde” se encontra a informação e não somente saber “o quê e como”. O sucesso de um aluno reside na forma como este é capaz de se ligar a esses novos contextos de aprendizagem e organizar as diferentes fontes de informação, enquanto que o sucesso do professor ou educador define-se pela forma como desenvolve estratégias para auxiliar e orientar o aluno nesse complexo processo. O professor é então encarado, nesta teoria, como um orientador na imensidão de informação existente.
No fundo, ao trazer a esta reflexão a abordagem conectivista pretendo mostrar que os processos de ensino-aprendizagem já não se podem remeter a uma visão datada da escola. As novas tecnologias vieram revolucionar a forma como aprendemos. Parece-me, uma vez mais, que a escola e os professores ainda não conseguiram ou puderam compreender essa mudança irreversível.
Naturalmente que num ensino desta natureza o estudante digital estará melhor preparado para fazer enfrentar o futuro pois, em principio, possui as competências tecnológicas e o dominio da linguagem para responder aos desafios. No entanto, esse domínio dos meios tecnólogicos não pressupõe à partida uma vantagem face aos restantes membros da sua geração nem tão pouco uma correcta utilização desse conhecimento em prol de actividades que sejam efectivamente importantes.
Será este um dos grandes desafios que enfrentam os sistemas públicos de ensino. Sabemos que a escola é a base e o sustentáculo da sociedade em que vivemos. Graças a ela tantas conquistas foram alcançadas, mas também graças a sua imobilidade tantas coisas ficaram por alcançar. Numa altura em que, como refere Rui Canário, a escola já não consegue responder ao seu desígnio de mobilidade social, só uma escola capaz de transmitir uma aprendizagem significativa poderá triunfar (triunfar no sentido de cumprir o seu papel) na era digital.
Pedro Coelho do Amaral

Bibliografia

Prensky, M. (2004) The Emerging Online Life of the Digital Native: What they do differently because of technology and how they do it. 1-14.
Prensky, M. (2001) Digital natives, digital immigrants. In On The Horizon (Vol9, nº 5). NCB University Press.

http://www.elearnspace.org/Articles/connectivism.htm

Estudante Conectivista

_________________________________________
Kids Today

_________________________________________
Teatchers Today