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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Intervenções_Análise da Identidade em Sites Sociais

Fórum A4 -> Discussão Conjunta -> Re: Discussão Conjunta por Pedro Coelho do Amaral - Sexta, 12 Junho 2009, 01:48
Boa noite,
A leitura e reflexão das grelhas de análise de marcas identitárias em sites sociais de jovens desenvolvidas pelos diferentes grupos permitem estabelecer um conjunto alargado de teias de relações com os diversos recursos educativos previamente discutidos. Sabemos de leituras anteriores que a identidade é uma tarefa central do desenvolvimento do ser humano que se prolonga por todo o ciclo da vida. No entanto é na adolescência que este processo assume uma importância particular pois é nesta fase de transição entre a infância e a vida adulta que os jovens, como teorizou Erikson (in Schmitt e Dayaminn, 2008), enfrentam o desafio da auto-definição e da formação da identidade e começam a desenvolver a noção de quem são, estabelecendo objectivos, opiniões, atitudes. É uma fase em que “ estão constantemente a tentar responder à questão Quem sou eu? enquanto utilizam as percepções de outros e de si próprios para ajudar a definirem-se a si próprios (ibidem)”. Como temos vindo a compreender nesta disciplina, este processo natural de auto-descoberta joga-se hoje em novos contextos, em novos espaços de socialização mediados pelos médios digitais. Como referem Huffaker e Calvert (2005) “À medida que os adolescentes procuram definir quem são (…), os seus fóruns de auto-descoberta se expandiram.” Esses novos fóruns de socialização são hoje diversos, e estão ao alcance dos adolescentes em diferentes formatos, suportes, tecnologias e à distância de um clique ou do carregar de uma tecla. As redes sociais são um desses novos espaços que progressivamente vêm ganhando o seu espaço no dia-a-dia dos jovens e por isso são bastante importantes como ferramenta de estudo desta fase do desenvolvimento humano nomeadamente pela possibilidade, como podemos observar por esta proposta de trabalho, de identificar distintas marcas identitárias que permitam compreender o processo de socialização dos adolescentes. Como refere Recuero (2008, 106) “Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: actores (pessoas, instituições ou grupos) e suas conexões (Wasserman e Faust, 1994, Degenne e Forsé, 1999). Trata-se, assim, de uma abordagem focada na estrutura social, na qual “individuals cannot be studied independently of their relations to others, nor can dyads be isolated from their affiliated structures”2 (Degenne e Forsé, 1999, p. 3). Neste sentido, o estudo destes sites permite uma visão abrangente do processo de interacção entre o indivíduos e a natureza social das suas interacções. Da leitura das grelhas e das análises existem um conjunto de considerações que penso podem ser generalizadas às diferentes análises propostas: Os jovens utilizam as redes sociais como um processo de afirmação da sua própria personalidade, como um meio para serem aceites pelos seus pares, no qual aprendem as regras e normas de socialização indispensáveis na vida adulta. Nesse sentido, a necessidade de pertença a determinado grupo de amigos revela-se como uma marca identitária muito forte e está presente em inúmeros exemplos. O número de amigos, os comentários, os fives e os grupos a que pertencem são um exemplo claro dessa necessidade, apesar de nem sempre o nº de amigos corresponder ao nº de comentários. Apesar de não existir forma de confirmar esses dados, os autores (na maioria dos casos) revelam a sua identidade, idade, data de nascimento, local de residência (geral) e mantêm um perfil acessível aos restantes utilizadores e excluem os adultos deste espaço de socialização. Os resultados demonstram também que os jovens não têm receio em demonstrar sentimentos seja de amizade seja relações amorosas e demonstram apetência pela auto-reflexão, mas fazem-no perante amizades que já existem fora do ambiente virtual dos sites estudados. Esta leitura parece então confirmar a opinião de Boyd e Alisson (2007) quando estes afirmam que “Apesar de existirem algumas excepções, a pesquisa existente sugere que as SNS suportam primariamente relações sociais pré-existentes. Ellison, Steinfield, and Lampe (2007) sugerem que o Facebook (caso estudado) é utilizado para a manutenção ou solidificação de relações de amizade, e não para se conhecerem novos amigos.” Ao nível da interface gráfica dos sites analisados nota-se algum cuidado na apresentação o que demonstra, como já referimos em posts anteriores, uma forma de valorização perante os outros através da exibição de competências estéticas e técnicas. Nos rapazes notámos uma incorporação de um maior nº de addons (acrescentos) como musicas, vídeos, jogos, etc e uma imagem gráfica mais agressiva quer nos elementos visuais quer nas cores utilizadas. As meninas apresentam, na minha opinião, uma estética mais cuidada, mais criativa e naturalmente mais feminina. Apesar das análises parecerem apontar para uma maior disponibilidade das raparigas para a identificação pessoal, dando mais dados reveladores sobre si próprios e um menor cuidado na privacidade, parece-me que não se poderá generalizar essa análise. Encontrei inúmeros exemplos de sites de rapazes em que estes expõem de uma forma bastante clara os seus sentimentos. Essa observação poderá estar directamente relacionada com mudanças sociais nos comportamentos dos rapazes, tradicionalmente mais reservados. A utilização intensiva e extensiva de fotografias é outro aspecto transversal aos diferentes sites analisados, nomeadamente a peculiaridade de algumas poses estudadas, o que demonstra o cuidado na apresentação pessoal e a necessidade de estar bem perante os outros. Ao nível da linguagem ou netspeak (como por vezes é referida) é notório a utilização de uma linguagem criativa, inovadora e híbrida, onde se conjuga formas linguísticas tradicionais e formas adaptadas com o recurso, como já foi referido por diversos colegas, à gíria e ao calão. Estão também presentes acrónimos (ex:lol), variações e jogos de palavras e ecomotions. De uma forma geral a linguagem utilizado pelos rapazes é mais agressiva, mais sexista e com um carácter sexual mais explicito que de certa forma contrasta com uma linguagem mais cuidada, mais polida das raparigas.
Bibliografia:
BOYD, d. m., & ELLISON, N. B. (2007). Social network sites: Definition, history, and scholarship. Journal of Computer-Mediated Communication, 13(1), article 11. http://jcmc.indiana.edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html Huffaker, D. A., and Calvert, S. L. (2005). Gender, identity, and language use in teenage blogs. Journal of Computer-Mediated Communication, 10(2), article 1. http://jcmc.indiana.edu/vol10/issue2/huffaker.html Recuero, Raquel (2008) Um estudo do capital social gerado a partir de Redes Sociais no Orkut e nos Weblogs Revista FAMECOS Porto Alegre nº 28 dezembro 2005 quadrimestral

Pedro Coelho do Amaral


Fórum A4 -> Discussão Conjunta -> Re: Discussão Conjunta por Pedro Coelho do Amaral - Sexta, 12 Junho 2009, 15:16
Boa Tarde,
Foram levantados neste fórum diversas questões pertinentes das quais destaco duas que considero importantes no âmbito das temáticas abordados nesta unidade curricular. Uma das questões abordadas pelo Rui e pela Paula prende-se com a inexistência ou pelo menos uma certa distância dos adultos no acompanhamento adequado dos jovens quando estes acedem e socializam nas redes sociais que analisamos e os perigos de segurança inerentes. Outra questão abordada por diversos colegas prende-se com a observação e constatação da falta de hábitos culturais dos jovens, especialmente os baixos índices de leitura e a falta de qualidade ou profundidade do discurso e linguagem utilizada pelos jovens. Em ambos os casos, e concordando de uma forma geral com as opiniões emitidas, encontro a montante duas instituições da nossa sociedade que podem e devem ser parte integrante na resolução das questões abordadas, ou seja, a família e a escola.
Relativamente à 1ª questão podemos relacionar a questão da segurança e a questão da necessidade de formação dos nossos jovens nestes novos espaços de aprendizagem e socialização. A questão da segurança na Internet é hoje um assunto transversal, que perpassa todos os contextos da actividade humana, quer seja observada numa perspectiva profissional, comercial, social, familiar ou mesmo educacional. Este admirável mundo que é a Internet, como todos sabemos, não é um mundo neutro, despojado de inconvenientes ou perigos. Acima de tudo é o espelho da sociedade, um retrato fiel das diferentes facetas do ser humano. Uma enorme rede de conteúdos onde, lado a lado, podemos encontrar inúmeros e eloquentes exemplos do génio humano, de altruísmo, de talento, de criatividade e, no extremo oposto, a mais profunda das misérias, o mais hediondo dos crimes, o mais vil dos actos. Para lá da superfície, da epiderme da web, dos espaços de comunicação, informação e socialização escondem-se zonas escuras, marcadas por perigos que vão muito para além de questões mais mediáticas relacionados com vírus, burlas económicas ou falsas informações. Se considerarmos a perspectiva da segurança da internet para as crianças e jovens, os perigos podem incluir coisas tão diversas como o contacto com estranhos, a falta de privacidade, o ciberbulling, a pornografia on-line, os riscos de atitudes viciantes face à internet ou ao jogo online, as ciberameaças, os jogos violentos, a pertença a determinados grupos e ideais, entre inúmeros outros factores. É neste mundo dicotómico, onde os conhecimentos, os valores e as atitudes positivas e negativas convivem lado a lado, que os nossos jovens vivem e interagem grande parte dos seus dias. A grande maioria dos jovens, especialmente os adolescentes, olha para a Web, e neste caso para as redes sociais, como um mundo só seu, uma espécie de quarto do qual só eles possuem a chave. Um espaço de liberdade e procura da maioridade desejada, no qual, afastados do olhar inquiridor ou reprovador dos adultos, podem comunicar, socializar, explorar e aprender aquilo que não lhes é ensinado na escola ou em casa. No fundo um novo recreio onde construem e moldam as suas personalidades em construção, onde se afirmam perante os seus pares, onde procuram a validação social e aprendem as normas e regras sociais indispensáveis à entrada na vida adulta. Este sentimento ou necessidade de emancipação e libertação face aos adultos é algo de intrinsecamente natural no processo de desenvolvimento de um jovem. Assim como é natural que sintam que o controle ou até o auxílio nas suas actividades online por parte dos adultos é completamente desnecessária, intrusiva e evitável. Apesar de, como referi, os jovens consideram não necessitar dos mais velhos torna-se óbvio que os adultos, em especial os pais e os professores, não se podem alhear, ausentar das suas responsabilidades na educação e, neste caso em particular, da educação para a socialização on-line. Quando são muito jovens, as crianças necessitam que os adultos estabelecem regras e limites e que definam os espaços online, isentos de perigos, onde possam navegar. À medida que crescem e as solicitações sociais aumentam, necessitam que os pais os ajudem a adquirir os conhecimentos, as competências e os valores necessários, indispensáveis para a tomada de decisões conscientes, responsáveis e seguras nas suas interacções on-line. No entanto, à medida que as crianças crescem, essa mediação deve ser negociada, partilhada e explicada. Só assim, os jovens poderão compreender verdadeiramente as razões que estão por detrás das preocupações dos adultos. O impedimento total dos pais ou dos professores no acesso à internet e aos seus conteúdos e a obsessão pela privacidade dos jovens, não será certamente a resposta mais adequada para enfrentar este desafio. Como refere Boyd (2008, 137) “By allowing us to have a collective experience with people who are both like and unlike us, public life validates the reality that we are experiencing. We are doing our youth a disservice if we believe that we can protect them from the world by limiting their access to public life. They must enter that arena, make mistakes, and learn from them. Our role as adults is not to be their policemen, but to be their guides.”
Relativamente à segunda questão relacionada com a falta de hábitos de leitura e de competências linguísticas, aos quais acrescento a ausência de algumas regras básicas da vida em sociedade como a boa educação, a verdade é que a resposta a isso encontra-se mais uma vez nas duas instituições acima referidas. Se analisarmos a questão de um ponto de vista de outros enquadramentos teóricos sobre o desenvolvimento humano (como o modelo Transacional de Sameroff ou Bioecológico de Bronfenbrenner) sabemos que o desenvolvimento de um indivíduo resulta das transacções e dos diferentes sistemas com os quais interage. Nesse sentido podemos compreender que um adolescente e a sua identidade emergem, entre outros factores, do contexto educativo e familiar em que estão inseridos. Para abarcarmos todo o universo desenvolvimental e situacional do aluno, as suas escolhas, os seus interesses, os seus ritos, as suas expectativas, as suas crenças, os seus valores, a sua cultura, o seu saber académico, enfim, a sua vida, temos que considerar todos os níveis, variáveis e sistemas que influenciam e contribuem para a indissociabilidade das relações e compromissos entre cada factor num determinado momento e contexto temporal, social, cultural. Nesse sentido cabe à familia e à escola proporcionar as condições, as ferramentas para que os adolescentes sintam a necessidade de serem melhores, mais competentes, mais instruidos. Creio que atribuir as responsabilidades da falta de conhecimento ou interesse cultural somente aos adolescentes é algo de profundamente errado. Devemos procurar nos modelos que, nós adultos, estamos a trasmitir às gerações mais novas. Grande parte da aprendizagem baseia-se na observação e identificação com os modelos, nomeadamente sociais, como a nossa família, os amigos, os professores, etc. Bandura através da sua teoria da aprendizagem social refere que as pessoas, em especial os jovens, podem aprender novas respostas e comportamentos observando simplesmente o comportamento dos outros. Se o comportamento das gerações mais velhas não promove o valor do conhecimento é mais que natural que os adolescentes seguiam os seus modelos.
Pedro Coelho do Amaral
Fundamentação da escolha efectuada
A escolha da 1ª intervenção resulta do facto de esta expor, de uma forma fundamentada, as principais conclusões retiradas dos trabalhados analisados.
Não me limitando a elencar os resultados obtidos, tentei nesta intervenção estabelecer as teias de relação entre as principais conclusões e as diferentes matérias abordadas nesta disciplina e, mais uma vez, fundamentar as opiniões e acrescentar novo conhecimento. Por esse motivo considero que acabei por demonstrar neste post que consegui atingir os objectivos e competências proposto por esta unidade curricular.
A 2ª intervenção, apesar de fugir um pouco ao tema, surge após um processo de maturação relativo à questão da segurança na Internet e à questão do deficit cultural dos jovens. Como sabemos esses temas foram de forma intensiva e extensiva abordados, em diferentes momentos e locais, ao longo desta unidade curricular.
Penso que as opiniões e argumentos demonstrados nesta intervenção representam uma opinião fundamentada, resultado de um processo de reflexão pessoal e visa contribuir para uma visão mais esclarecidas dos temas abordados.
Pedro Coelho do Amaral

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Intervenções_Media Digitais e Construção da Identidade Social

Fórum A3 -> Síntese Global por Pedro Coelho do Amaral - Quinta, 7 Maio 2009, 14:29
Numa primeira abordagem transversal aos diferentes artigos proposto e sintetizados pelos grupos é possível identificar diferentes teias de relação que se estabelecem entre eles. A influência dos novos meios digitais na construção da identidade social dos jovens representa um novo paradigma. Um novo padrão assente em novos processos de construção e expressão do eu perante os outros, contextualizadas em novos espaços públicos de identificação e socialização. A revolução tecnológica e os inúmeros dispositivos de informação e comunicação que foram surgindo permitiram que, progressivamente, os jovens se apropriassem das suas características móveis, interactivas, portáteis e as moldassem aos seus interesses. Podendo assumir diferentes plataformas, conteúdos, linguagens ou abordagens torna-se claro que para compreender os adolescentes de hoje é necessário, antes de mais, analisar os espaços em que estes plasmam as suas novas formas de expressão, sejam blogs, páginas pessoais, redes sociais, telemóveis, mundos virtuais, redes de partilha de vídeos, músicas, ou outras formas.
Nos diferentes trabalhos ressaltam um conjunto de considerações que importa referir:
1)» Os novos meios influenciam e modelam a identidade dos jovens. Num período de transição da infância para a idade adulta, é aqui que se jogam os novos processos identitários e de socialização. Como refere o grupo I “ Para muitos jovens do mundo industrializado, os media digitais são modalidades significativas através das quais os jovens, consciente ou inconscientemente, procuram respostas sobre o ‘eu que sou eu”
2) As novas tecnologias, pelas características acima referidas, exponenciam um novo tipo de construção identitária, dinâmica, móvel, em constante evolução.
3) Os novos espaços de socialização funcionam como espaço de pertença ou identificação inter pares, de validação social, de auto realização, de divertimento, de amizade e voyerismo social. Como refere o grupo 2 “ Esta é uma forma de construírem a sua própria identidade, onde existe uma coexistência entre a identidade pública e a privada, num jogo de representação onde as avaliações internas e externas contribuem para uma construção do "eu.”
4) As novas tecnologias permitem o aparecimento de novas formas de expressão criativa e cultural, potenciadas pelas possibilidades tecnológicas que permitem uma rápida edição, difusão e permuta de conteúdos, assentes numa cultura colaborativa e participativa.
5) O surgimento de novos processos de aprendizagem, assentes em processos de educação não-formal, muito para lá dos muros da escola.
6) A incompreensão e receio dos adultos face a essa nova realidade.
Até já.
Pedro coelho do Amaral
Fórum A3 -> Síntese Grupo 1 -> Re: Síntese Grupo 1 por Pedro Coelho do Amaral - Sábado, 9 Maio 2009, 23:55
Este artigo reflecte de uma forma bastante interessante sobre a emergência de uma novo tipo de linguagem, um novo tipo de produção cultural impulsionada pelas ferramentas tecnológicas de comunicação e informação. Reflecte sobre o modo como os nativos digitais se apropriam dessas mesmas tecnologias de comunicação e informação “para se expressar e conhecer” tal como refere a síntese elaborada pelo grupo I.
Curiosamente, e em concordância com o artigo que ajudei a sintetizar no grupo IV sobre telemóveis, os autores referem que as identidades dos jovens tal como as novas tecnologias e os meios de comunicação estão em constante mudança, assumindo-se como identidades-em-acção, com múltiplas facetas vertidas em diferentes formas de se expressarem culturalmente.
Esses novos meios de transmissão, de armazenamento e de emissão comunicacionais em ambiente digital exponenciaram a partilha, a aproximação e o imediatismo. O seu aparecimento provocou profundas alterações na dinâmica comunicacional, social e cultural das nossas sociedades em especial nos jovens. Os meios modernos digitais, por dificuldade de delimitação das suas fronteiras, intitulam-se pelo termo genérico de novos média. Os novos média representam a convergência de três causas que se sobrepõem: a computação, os média e a comunicação em rede.
Historicamente os novos média (Manovich, 2001) surgem da convergência, em meados do séc. XX, de dois percursos históricos independentes. Um nasce da ascensão de tecnologias mediáticas modernas que permitiu o armazenamento de imagens, a sequência de imagens, de sons e de texto, utilizando diferentes formas de materiais (chapas fotográficas, películas de filme, discos em vinil). Outro, surge quando, este percurso a um dado momento se encontra com o avanço do computador, o qual evoluiu a sua utilização, para além dos cálculos, para o armazenamento da informação dos média. Nada mais conveniente e facilitador do que recorrer ao uso do computador para a produção, a distribuição e a exibição dos conteúdos média. Esta adopção do digital veio provocar uma profunda revolução na sociedade moderna pois afecta todas as formas culturais e sociais mediadas pelo computador. Como afirma Manovich (2001, pag. 19) “Indeed, the introduction of the printing press affected only one stage of cultural communication – the distribution of media. Similarly, the introduction of photography affected only one type of cultural communication – still images. In contrast, the computer media revolution affects all stages of communication, including acquisition, manipulation, storage, and distribution; it also affects all types of media – texts, still images, moving images, sound, and spatial constructions ”. A capacidade dos novos média em comunicar informação multimédia abriu caminho a novas formas de interacção com o utilizador mais profícuas e que se revelam nos inúmeros exemplos que este trabalho apresenta. O conceito de multimédia surge na sequência do aparecimento dos novos média e significa uma forma de comunicação que é aglutinadora de vários elementos estáticos (textos, imagens) e dinâmicos (som, vídeo, animações) para construir uma mensagem.
Será partindo desta nova linguagem revolucionária que hoje assistimos a um processo de (re)construção da nossa identidade individual e colectiva plasmada em novos processos de comunicação e partilha, em novas formas de produção cultural, que são utilizadas pelos jovens como excelentes ferramentas para se exprimiram. Hoje os produtos culturais dos jovens são produzidos com recurso às tecnologias que dominam e inovam através da associação de diferentes recursos, analógicos ou digitais, textuais, visuais ou sonoros. Como refere o grupo I deixando “a sua marca a dois níveis, no mundo de produção e no próprio produto cultural.”
Pedro Coelho do Amaral

Fundamentação das escolhas

Escolhi a primeira intervenção porque, após a leitura das diferentes sínteses apresentadas, senti a necessidade de fazer um ponto da situação retirando algumas das principais ideias de cada um dos textos. Como foi o primeiro post a apresentar uma visão global dos trabalhos individuais serviu de mote para que outros colegas fizessem o mesmo, numa discussão que considerei na altura, demasiado dispersa e segmentada. O post estabelece também uma visão de conjunto face ao que havia sido discutido ao longo desta unidade curricular.
A segunda intervenção exigiu um trabalho de investigação e (re) leitura da obra de Manovich "The Language of New Media" sobre uma temática que me interessa bastante relacionada com a linguagem dos novos media e a emergência de uma novo tipo de linguagem, um novo tipo de produção cultural impulsionada pelas ferramentas tecnológicas de comunicação e informação e, consequentemente, sobre a forma como os jovens a utilizam, produzem e consomem.
No entanto devo referir que senti grandes dificuldades na escolha, não só pelo elevado nº de posts de qualidade enviados pela turma, mas também porque nesta actividade coloquei 7 intervenções que considero conterem qualidade suficiente para serem escolhidas. No entanto escolho aquela que considero mais interessante do ponto de vista de partilha de novo conhecimento.
Pedro Coelho do Amaral

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Intervenções_Identidade Social na Adolescência

Re: Sintese dos recursos de aprendizagem disponibilizados
por Rui Fernandes - Sábado, 4 Abril 2009, 08:06
Concordo com a Paula em relação às sínteses apresentadas, pelo que me permito fazer um comentário pessoal acerca da questão desta actividade, com base na documentação lida, mas não como forma de síntese da problemática. A busca de uma identidade na adolescência é, reconhecidamente, um processo atribulado, mais ou menos, rebelde, resultado de todo um percurso que envolve períodos de crise ou de exploração e os momentos em que se devem começar a assumir compromissos mais sérios, seja em termos profissionais, pessoais ou familiares. As etapas percorridas na procura da identidade são vividas de formas diferentes, consoante as interacções e os envolvimentos sociais, familiares, económicos que rodeiam os jovens, mas também o seu desenvolvimento intrínseco em termos físicos e mentais.É aceite, nos dias que correm, que este processo de aquisição de uma identidade não se conclui com o final da adolescência mas com a definição de uma carreira profissional e com uma estabilidade económica assegurada. Isto pode revelar-se preocupante e gerar problemas sociais graves já que, hoje em dia, são estimulados os desempenhos por objectivos, não há empregos fixos, pretende-se que ninguém tenha emprego e estabilidade económica assegurada para toda a vida. Ora, isto não poderá levar a dificuldades acrescidas na busca de uma identidade? Não levará a que os indivíduos só consigam alcançar essa identidade muito mais tarde na vida? Teremos "velhos" adolescentes? Ou a hostilização social e a rebeldia vão extrapolar-se e atingir para além de pais e questões menores (como as questões quotidianas da roupa, do frio, dos estudos...), toda a sociedade e questões mais graves de conflitualidade grave e criminalidade? Este é um aspecto preocupante, no meu entender, que deve merecer a nossa atenção e dedicação, pois numa fase de afirmação pessoal como esta, todos os factores de estabilidade, que cada vez existem menos, são muito importantes. Cada vez é mais difícil responder à questão "quem sou eu?". Será que pode ser isto que causa desinteresse nos nossos jovens, por exemplo, na escola? A perspectiva de não contar com um futuro certo, desinteressando-se das actividades escolares, considerando que "aquilo" não serve para nada?...Também a comunicação é um aspecto interessante de analisar nesta procura da identidade social. Os adolescentes, nomeadamente, na internet utilizam uma linguagem muito simplificada e com características tecnológicas distintivas que os colocam à margem de outros comunicadores. Não exige grandes conhecimentos. O grande problema é que. mais uma vez pela experiência profissional, este tipo de linguagem levanta dificuldades no entendimento da escrita como ela deve ser feita, conduzindo os jovens a erros permanentes e a escrita incorrecta quando estão fora do âmbito da internet. Constroem as suas páginas e os seus blogues, onde a comunicação parece ser mais fácil. Nos estudos que tivemos oportunidade de ler, verifica-se que a evolução pode levar a algumas diferenças na comunicação mas que parecem diluir-se noutros estudos. Julgo que, hoje em dia, podemos falar em muitas semelhanças. Naturalmente, há diferenças, os homens tendem a utilizar os emoticons mais com mulheres do que com homens, as mulheres são mais delicadas na escrita, mas o grande resultado é que em ambos os casos, a internet é utilizada porque todos acham que a possibilidade de anonimato lhes confere um poder de transmitir a informação que desejam dar a conhecer, sem terem de rebelar a identidade. Isso permite que as pessoas divulguem aspectos da sua vida pessoal que, de outra forma, não conseguiriam dar a conhecer. Mas as diferenças são cada vez menos significativas.É verdade que os indivíduos se revelam na internet como em nenhum outro local seriam capazes de fazer, como o é que a construção de identidade se faz muito pela comunicação virtual. Também todo o meio tem a sua influência, bem como os valores, a educação e todas as interacções de amizade. Mas tenho como ideia base que a grande fatia tem a ver com factores genéticos de personalidade, daquilo que cada um parece trazer "escrito" no seu código. Depois, pode "perder-se", "encontrar-se", optar por este ou aquele caminho, mas há sempre uma base daquilo que cada um parece ter definido à priori como caminho a percorrer. Poderá esta opinião ser questionada, naturalmente, mas não consigo deixar de pensar em duas pessoas que conheço bem, do mesmo sexo, idades aproximadas (2 anos de diferença) educadas com os mesmos valores, o mesmo meio envolvente, os mesmos contactos de amizade, a mesma família, os mesmos meios e formas de comunicação e linguagem, as mesmas regras sociais, o mesmo estatuto económico e que vão manifestando identidades muito diferentes... RF
Fórum A2 -> Síntese dos recursos de aprendizagem disponibilizados -> Re: Sintese dos recursos de aprendizagem disponibilizados por Pedro Coelho do Amaral - Domingo, 12 Abril 2009, 12:46
Para reforçar a ideia que os adolescentes projectam a sua identidade através dos novos meios digitais, diferentes estudos tentam compreender e analisar quem o faz, como o fazem e porquê o fazem. Dos diferentes estudos a que tive acesso são retiradas algumas conclusões bastante interessantes e que demonstram que os meios digitais (ainda numa fase embrionária face às possibilidades tecnológicas que se adivinham), assumem-se como ferramentas de comunicação e socialização complementares aos meios tradicionais e perspectivam uma revolução paradigmática no desenvolvimento dos processos de construção da identidade. Eis alguns exemplos:
Segundo Amanda Lenhart, investigadora principal do estudo "Teen Content Creators and Consumers "Para os adolescentes americanos, os blogs funcionam como uma forma de auto-expressão, socialização, um meio para construir relações e uma forma de marcar a sua presença on-line.” Na sua definição de criadores de conteúdos, a autora do estudo descreve os adolescentes como construtores activos de páginas web ou blogs, que partilham os seus conteúdos originais criativos ou misturam conteúdos que encontram on-line projectando-os em novas formas de criação que funcionam como uma palete para a afirmação das suas personalidade.
Mary Madden co-autora do estudo refere que a mistura de conteúdos criativos é uma das formas através das quais os adolescentes colocam um carimbo pessoal nos seus trabalhos, numa fase das suas vidas em que estão essencialmente focados em estabelecer a sua identidade.
Os autores referem ainda que os adolescentes que possuem ou acedem a blogs, não comunicam com estranhos, desmistificando uma das ideias feitas sobre a sua imaturidade e os perigos da socialização on-line: " Para os jovens, o objectivo (dos blogs) é reforçar e manter relações de amizade e não ler sobre a opinião de estranhos.”
http://www.pewinternet.org/~/media/Files/Reports/2005/PIP_Teens_Content_Creation.pdf.pdf
http://www.pewinternet.org/Media-Mentions/2005/Teens-Dont-Blog-With-Strangers.aspx
Outro estudo observa o exponencial aumento de adolescentes que criam ou utilizam blogs – de 19 % em 2004 para 28% em 2006 e com clara tendência para aumentar. Esse estudo indica que são as raparigas, a força empreendedora deste acréscimo significativo (dois terços dos adolescentes que utilizam blogues são raparigas) e que o fazem com o objectivo de reflectir sobre a sua vida, em particular sobre a escola, amizades e a sua vida para lá dos muros da escola. Os seus blogs são parte diário, parte procura do seu eu através da interacção social com os seus amigos, parte iniciadores de conversação e de uma forma geral mais propensos (em comparação com os blogs criados por rapazes) para revelar as suas emoções do que descrever acontecimentos. Dos diferentes depoimentos referenciados destaco estes:
"It's just a little easier than talking about your feelings to write about it," says Taranto, 17. "Then it's easier to talk about it."
"i feel like there is this gaping hole that i just cant fix. i dont even know why the hole is there. i have a great family and great friends. the only thing that is missing is someone who loves me, but i dont even think that is causing this hole. it just hurts so bad sometimes." (Taranto, Jan. 30)
http://www.boston.com/lifestyle/articles/2008/04/05/dear_blog/
Para finalizar um estudo interessante sobre um paradoxo que contrapõem o facto de os adolescentes passarem um considerável tempo da sua vida a escrever (mais que os seus progenitores), mas não consideram o que escrevem em ambiente digital como verdadeira escrita, ferramenta fundamental para o seu futuro.
Como se afirma no estudo “ Os adolescentes sabem que escrever é importante. A maioria sabe que a escrita informal que actualmente praticam não será sustentável quando se tornarem adultos. No entanto, retiram grande prazer em desenvolver um estilo pessoal e informal de escrita como uma forma de expressar e distinguir o que realmente são.”
Outra questão importante é o prazer em descobrir e dominar as ferramentas tecnológicas da escrita e os mecanismos de comunicação on-line, distinguindo-se dos outros.
“There are all sorts of things in texting that you can put [in]. Like you can put an exclamation mark in the beginning and the end, or a question mark, or a smiley face, or all caps to show you are yelling. – 11/12th Grade Girl, Pacific Northwest City.”
http://www.pewinternet.org/Reports/2008/Writing-Technology-and-Teens.aspx

Pedro Coelho do Amaral
Fundamentação da escolha efectuada

A escolha da 1ª intervenção do meu colega Rui Fernandes resulta do facto de este expor uma visão pessoal fundamentada do tema em discussão. Não se limitando ao assunto proposto levanta um conjunto de dúvidas e questões pertinentes que, no momento que foram proferidas, funcionaram como um elemento de elevação e motivação da discussão no Fórum.
A escolha da segunda intervenção da minha autoria espelha, em conjunto com outras por mim feitas ao longo deste percurso, um aturado trabalho de pesquisa de fontes de informação adicionais que penso terem contribuido, pela pertinência das temáticas, como uma mais-valia na discussão no Fórum. Considerando que a recolha, análise e reflexão de outros recursos educativos, para além dos propostos, é um dos objectivos e mais-valias deste tipo de ensino, considero que esta intervenção se revelou importante e demonstra uma procura de conhecimento adicional sobre a temática abordada.
Pedro Coelho do Amaral

segunda-feira, 30 de março de 2009

Intervenções_Nativo Digital vs Emigrante Digital

Fórum A1 -> Trabalho Final- Grupo Verde -> Re: Trabalho Final- Grupo Verde por Pedro Coelho do Amaral - Sexta, 20 Março 2009, 08:27

Caros colegas e professoras,
Ao desenvolver o perfil do estudante digital, os diferentes grupos plasmaram nas suas apresentações as ideias do autor Mark Prensky.
Essas ideias, originais na forma e no conteúdo, nomeadamente na própria abordagem dos conceitos de nativo digital e imigrante digital ou na análise cuidada da ruptura e descontinuidade entre gerações, padecem no entanto de um problema que normalmente ocorre quando se tenta discutir realidades complexas através de uma visão dicotómica.
A realidade mostra-me, e contacto diariamente com alunos dos 16 aos 18, que não existe de forma tão expressiva, pelos menos à luz da realidade portuguesa, um estudante digital na verdadeira acepção do conceito por detrás das reflexões do autor. Nem tão-pouco uma homogeneidade geracional que permita afirmar que os nossos estudantes partilham um perfil identitário comum e que isso implique que as suas práticas educativas sejam radicalmente diferentes relativamente a gerações anteriores. Existem sim, diferenças de natureza económica, cultural e social que impedem esse isomorfismo cultural, inclusive questões básicas relacionadas com o acesso aos equipamentos informáticos ou à internet. Aliás, paradoxalmente, como docente do ensino artístico especializado, deparo-me frequentemente com fenómenos de contra-cultura, de fuga consciente a uma abordagem digital dos projectos artísticos e à necessidade de um reencontro com o carácter analógico da arte por parte dos alunos.
Por isso, considero que o excessivo optimismo do autor, a sua fervorosa crença nas capacidades globalizantes da tecnologia como elemento chave do processo educativo influenciaram de sobremaneira o perfil idealizado pela maioria dos grupos. Porventura, os perfis traçados centraram-se demasiadamente nas competências tecnológicas dos alunos e negligenciaram uma abordagem aos valores e atitudes do aluno face à aprendizagem ou às capacidades cognitivas a desenvolver pelo estudante digital. Essa abordagem resultou numa definição de perfil de estudante digital de certa forma acrítica, e tal como a professora referiu, demasiado centrado nos seus “critérios e apenas nos seus interesses”.
Respondendo de uma forma directa à 1ª questão colocada pela professora, entendo que a aprendizagem não se pode centrar simplesmente nos critérios e interesses dos alunos sobre o risco de comprometermos o próprio futuro desse mesmo aluno e da educação como instrumento de aprendizagem contínua e ferramenta de valorização pessoal.
Ao longo de décadas a escola tem sido, justamente, acusada de centrar o ensino nos interesses dos professores e num processo de ensino-aprendizagem baseado na acumulação de saberes e posterior validação através de exames. A visão que nos é apresentada por estes perfis leva-nos na direcção exactamente oposta, isto é numa visão da aprendizagem concentrada única e exclusivamente nos interesses particulares do aluno e nos seus processos de aprendizagem claramente autodidácticos. Essa visão é na minha opinião errada, redutora e contrária ao espírito da aprendizagem como espaço de conhecimento e partilha. Qual seria o papel dos professores e educadores perante a necessidade de subordinação aos ditames particulares dos interesses específicos de cada aluno? Seria, provavelmente reduzido, de mera orientação, uma espécie de manual de instruções, de fácil consulta e leitura rápida. Um professor ou um educador é muito mais que isso, é um construtor de consciência, uma fonte de inspiração.
O processo ensino-aprendizagem deverá portanto jogar-se numa dialéctica, numa partilha entre o que é necessário e suposto ensinar e os reais interesses dos alunos, adaptando, mas nunca cedendo perante visões empobrecedoras da infinita riqueza do acto de aprender.
Relativamente à resposta à 2ª questão, e porque o texto já vai longo, reflectirei no próximo comentário.
Até breve.
Pedro Coelho do Amaral
Fórum A1 -> Trabalho Final- Grupo Verde -> Re: Trabalho Final- Grupo Verde
por
Pedro Coelho do Amaral - Segunda, 23 Março 2009, 08:08
Estará o novo estudante digital mais preparado para o futuro do que o imigrante digital?"
No seguimento do que declarei na minha anterior intervenção, reafirmo que um ensino centrado nos critérios dos alunos e apenas nos seus interesses resultaria numa aprendizagem amputada das diferentes dimensões do processo ensino-aprendizagem.
Porém, afastando-nos desse perfil de competências tecnológicas e respondendo directamente à 2ª questão, é obvio que um aluno que possui as competências em tecnologias da informação e comunicação estará à partida melhor preparado para enfrentar os desafios do futuro, numa sociedade que assenta os seus princípios em critérios de maior exigência tecnológica, de integração multidisciplinar de saberes e autonomia no desenvolvimento de trabalho projectual. Da mesma forma, é perfeitamente possível afirmar que um estudante que adquira sólidos conhecimentos de língua inglesa ou que invista na sua carreira de estudante certamente obterá mais valias que lhe serão úteis enquanto futuro profissional. Penso também que uma das questões fundamentais a considerar, e daí pensar que esta divisão hermética adquire contornos redutores, é que a aprendizagem deve ser pensada como um projecto de vida e ao longo da vida. Tão determinante, que chega a ser considerado, pela Unesco, no Relatório sobre Educação para o século XXI organizado por Jacques Delour, como um desígnio “Colocar a educação ao longo de toda a vida no coração da sociedade” (pag18).
Será certamente possível, mesmo para aqueles imigrantes que não tendo nascido na era digital, investir o seu tempo e os seus recursos cognitivos na aquisição das competências tecnológicas necessárias. Aliás, bastante mais preocupante é o facto de na mesma geração de jovens estudantes existirem novas situações de exclusão, pela impossibilidade de acesso aos recursos tecnológicos e à banda larga. Evitar que a escola não agrave desigualdades económicas e sociais deverá ser uma das principais preocupações dos governos ao implementarem planos tecnológicos na educação.
Nesse sentido, a questão não se deve centrar na tecnologia mas na pedagogia ou no desenvolvimento curricular associado a essas mesmas tecnologias, tendo como objectivo integrar os novos saberes e competências que os alunos adquirem em espaços de educação não-formal e transporta-los para o contexto da prática educativa na sala de aula.
A instituição escolar, mesmo com o advento da massificação, sempre se caracterizou por ser altamente elitista, tradicionalista, formatada para transmitir um conjunto de valores homogéneos para todos, indiferente às diferenças individuais ou culturais e por isso geradora de divisões, perpetuadora de desigualdades, inclusive sociais. Também costuma ser muito lenta a reagir e integrar os novos inputs da sociedade, baseando a distribuição do saber em conteúdos muitas das vezes obsoletos e mais direccionados para a sua acumulação do que para a sua aplicação em contextos práticos. As tecnologias da comunicação e informação poderão ser uma excelente ferramenta para, como afirma o sociólogo de educação Rui Canário no seu desconcertante livro A Escola tem futuro? - Das promessas às incertezas” conseguir “ligar a Escola à vida”.
Pedro Coelho do Amaral
Fundamentação da escolha das Intervenções
As razões que presidiram à escolha destas intervenções em detrimento de outras que considero igualmente válidas devem-se sobretudo ao facto de eu considerar que respondem de uma forma clara, objectiva e encadeada aos objectivos da discussão levada a cabo no respectivo fórum A1. Reflectem uma visão crítica muito pessoal sobre a obra do autor Mark Prensky e ao mesmo tempo tentam trazer para a discussão, de uma forma fundamentada, diferentes questões e desafios sobre a temática abordada, respondendo às duas questões colocadas. Comparando com sintese que a professora elaborou a partir discussão no forúm, penso que nestas duas intervenções estão vertidos muitos dos aspectos referidos.
Pedro Coelho do Amaral